
O prazo para inscrição no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), uma das seleções públicas mais exigentes e prestigiadas do país, se encerra na próxima quarta-feira (25), marcando uma edição histórica. Pela primeira vez, o processo seletivo passa a reservar vagas específicas para candidatos indígenas e quilombolas, refletindo uma transformação estrutural no perfil do serviço exterior brasileiro e ampliando o acesso de grupos historicamente excluídos dos espaços de representação internacional.
Ao todo, são oferecidas 60 vagas para ingresso no quadro de diplomatas do Ministério das Relações Exteriores, com remuneração inicial de R$ 22.558. Deste total, duas vagas são destinadas a candidatos indígenas e uma a candidato quilombola. O edital também mantém políticas afirmativas já consolidadas, reservando três vagas para pessoas com deficiência e 15 para candidatos pretos e pardos.
A iniciativa representa um avanço significativo na democratização da diplomacia brasileira, tradicionalmente associada a uma elite social e educacional específica. A inclusão formal de indígenas e quilombolas no processo seletivo reconhece não apenas a diversidade étnica do país, mas também o valor estratégico dessas perspectivas na formulação da política externa.
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, destacou que a medida é resultado de um esforço institucional coordenado dentro do governo federal. Segundo ela, a ampliação das políticas de cotas e a criação de programas de formação voltados a lideranças indígenas foram fundamentais para viabilizar essa mudança.
Entre essas iniciativas está o programa Kuntari Katu, desenvolvido em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o próprio Ministério das Relações Exteriores. Criado em 2024, o programa tem como objetivo preparar jovens indígenas para participar de negociações internacionais, especialmente em temas relacionados ao meio ambiente, clima e direitos dos povos originários.
A proposta é fortalecer a presença indígena em fóruns globais e garantir que esses representantes possam contribuir diretamente com debates que afetam seus territórios e modos de vida. A participação indígena nas negociações climáticas internacionais, por exemplo, tem sido cada vez mais reconhecida como essencial para o enfrentamento das mudanças climáticas e a preservação da biodiversidade.
Para muitos candidatos, essa nova política representa mais do que uma oportunidade profissional — é também um reconhecimento simbólico e político de suas identidades e trajetórias. É o caso de Eliel Camlem, de 24 anos, estudante indígena que se prepara para disputar uma das vagas. Natural de Santa Catarina, ele cursa o último ano de Relações Internacionais na Universidade Federal de Santa Catarina e se dedica ao estudo para o concurso há cerca de três anos.
Eliel cresceu em uma comunidade indígena e teve acesso a uma educação bilíngue, aprendendo tanto o português quanto sua língua ancestral. Para ele, a possibilidade de ingressar na carreira diplomática representa a chance de levar novas perspectivas ao cenário internacional e contribuir com uma visão baseada em sua vivência cultural e territorial.
Segundo o estudante, a diplomacia sempre foi vista como um ambiente distante da realidade dos povos originários, mas essa percepção começa a mudar com políticas de inclusão mais efetivas. Ele acredita que a presença indígena no serviço exterior pode enriquecer o diálogo internacional, ampliando a compreensão sobre temas como sustentabilidade, direitos humanos e cooperação global.
A criação das vagas reservadas também reflete uma mudança na compreensão do papel do Estado e da diplomacia. Mais do que representar interesses econômicos e políticos, o serviço exterior passa a incorporar a diversidade cultural como um elemento estratégico de atuação internacional.
Especialistas apontam que a presença de diplomatas com origens diversas fortalece a legitimidade do país em negociações multilaterais, especialmente em áreas onde o Brasil possui relevância global, como meio ambiente, direitos indígenas e conservação da natureza.
Além disso, a inclusão de novos perfis contribui para a modernização institucional e para a construção de uma diplomacia mais representativa da sociedade brasileira. Ao reconhecer a importância da diversidade, o país reforça seu compromisso com valores democráticos e com a promoção de igualdade de oportunidades.
O impacto dessa mudança, no entanto, vai além do presente. A expectativa é que, ao longo dos próximos anos, a presença crescente de indígenas e quilombolas na diplomacia brasileira ajude a redefinir prioridades, ampliar perspectivas e fortalecer o papel do Brasil no cenário internacional.
Mais do que ocupar cargos, esses novos diplomatas terão a missão de representar não apenas o Estado brasileiro, mas também a pluralidade de culturas, histórias e visões que compõem o país. Nesse sentido, a abertura dessas vagas marca o início de uma nova fase na diplomacia nacional — mais diversa, inclusiva e alinhada com a realidade contemporânea do Brasil.
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