A habilitação de mais 14 plantas frigoríficas brasileiras para exportar carne bovina à Indonésia não é apenas uma boa notícia para o agronegócio. É um movimento estratégico que revela como o Brasil vem redesenhando sua inserção internacional em um cenário global cada vez mais restritivo, competitivo e politicamente sensível.
A Indonésia, quarto país mais populoso do mundo, passa a ocupar um papel central nesse redesenho. Com 52 plantas agora autorizadas a exportar para o país asiático, o Brasil amplia significativamente sua presença em um mercado de grande escala, crescimento constante e demanda estrutural por proteína animal. Não se trata de substituir a China, mas de reduzir dependências excessivas — uma lição que o setor aprendeu à força.
As cotas impostas por Pequim, que limitaram as compras brasileiras e elevaram tarifas sobre volumes excedentes, deixaram claro que concentração de mercado é vulnerabilidade. Ao diversificar destinos, o Brasil não apenas protege suas exportações, mas ganha margem de negociação e estabilidade de longo prazo. A Indonésia, nesse contexto, surge como uma alternativa tão estratégica quanto necessária.
Há também um aspecto político-diplomático pouco discutido. A ampliação do acesso ao mercado indonésio não ocorreu por acaso. Ela é fruto de missões presidenciais, articulação técnica e coordenação entre governo e setor privado. Em um mundo onde barreiras sanitárias frequentemente escondem disputas comerciais, abrir mercados exige mais do que competitividade produtiva: exige diplomacia ativa.
Outro ponto relevante é o debate interno sobre abastecimento e preços. O temor de que exportações crescentes provoquem escassez no mercado doméstico é recorrente — e compreensível. No entanto, os dados mostram uma realidade mais complexa: consumo interno em alta convivendo com recordes de exportação. Isso só é possível porque a pecuária brasileira vem passando por um processo contínuo de ganho de produtividade, impulsionado por tecnologia, manejo e eficiência.
Esse ganho de produtividade desmonta uma falsa dicotomia entre mercado interno e externo. Ao contrário do que se imagina, exportar mais não significa, automaticamente, faltar carne no Brasil. Em muitos casos, significa fortalecer toda a cadeia produtiva, gerar renda, estimular investimentos e, no fim do ciclo, ampliar a oferta.
O desafio permanece, especialmente diante das restrições chinesas. A China segue sendo um comprador dominante, e qualquer ajuste em sua política comercial provoca impactos imediatos. Ainda assim, a abertura de novos mercados — como Indonésia, Coreia do Sul e, potencialmente, Japão — indica que o Brasil está adotando uma estratégia mais madura: menos dependência, mais equilíbrio.
As perspectivas para 2026 reforçam essa leitura. Com dezenas de mercados abertos nos últimos anos e auditorias internacionais em andamento, o país consolida sua posição como um dos principais fornecedores globais de carne bovina. Não por acaso, isso ocorre em um contexto de déficit estrutural de proteína no mundo — uma realidade que dificilmente será revertida no curto prazo.
No fim, a habilitação das novas plantas para a Indonésia simboliza algo maior do que números de exportação. Ela mostra que o Brasil começa a transformar volume em estratégia, produção em influência e agronegócio em política de Estado. Em um ambiente global instável, essa combinação pode ser o diferencial entre reagir às crises ou antecipá-las.
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