
O governo federal assinou, nesta quarta-feira (7), o contrato de empréstimo de US$ 320 milhões com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do Brics, para a implantação do primeiro hospital inteligente do Brasil. A assinatura foi realizada no Palácio do Planalto pela presidenta do NDB, Dilma Rousseff, e pelo ministro da Fazenda substituto, Dario Durigan, marcando o lançamento oficial da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS.
O financiamento será concedido à União e destinado à construção do Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, além da estruturação de uma rede nacional de unidades de terapia intensiva inteligentes.
Hospital pioneiro e rede nacional de UTIs inteligentes
O projeto prevê a criação de uma unidade hospitalar pioneira no SUS, concebida desde a origem para operar com tecnologias médicas avançadas, inteligência artificial e sistemas digitais integrados. Paralelamente, serão implantadas 14 UTIs inteligentes em 13 estados das cinco regiões do país, conectadas em rede para troca de informações em tempo real.
Segundo o governo, a iniciativa permitirá reduzir significativamente o tempo de resposta em atendimentos de urgência e emergência, elevar padrões de eficiência e qualificar a prestação dos serviços de saúde em todo o território nacional.
Instituto Tecnológico de Emergência no HC-USP
O hospital inteligente será construído no Complexo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e contará com cerca de 800 leitos, 25 salas cirúrgicas e estrutura voltada à medicina de alta complexidade. A primeira etapa do projeto prevê investimento total de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, com início das operações estimado para 2029 e capacidade de atender cerca de 20 mil pacientes por ano.
A unidade funcionará como modelo para futuras expansões do conceito de hospital inteligente no SUS, servindo de referência tecnológica, assistencial e de formação profissional.
Lula cobra rapidez e destaca impacto social
Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu agilidade na execução do projeto e cobrou que as UTIs inteligentes entrem em funcionamento ainda neste ano, antes da conclusão do hospital em São Paulo. Lula destacou que muitas das estruturas já estão prontas e dependem apenas de adaptação tecnológica.
Ao relatar experiência pessoal de emergência médica, o presidente afirmou que a iniciativa é fundamental para evitar deslocamentos longos e desiguais no atendimento à população. “Se isso aconteceu com o presidente, imagina com o povo mais humilde”, afirmou, ao reforçar que o SUS precisa garantir atendimento de qualidade em todas as regiões do país.
SUS, tecnologia e combate às desigualdades
Lula também ressaltou o papel histórico do SUS, lembrando sua importância durante a pandemia de Covid-19 e criticando a visão que, por anos, associou o sistema apenas à precariedade. Segundo ele, a incorporação de tecnologias inteligentes representa um passo decisivo para ampliar a equidade no acesso à saúde de alta complexidade.
“O pobre não pega avião para buscar tratamento fora. Ele depende do SUS, do SAMU e agora precisa ter acesso ao que a inteligência e a tecnologia podem oferecer”, afirmou.
Saúde de alta precisão no sistema público
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o contrato permitirá ao SUS dar um salto tecnológico, incorporando recursos de medicina de alta precisão que ainda não estão disponíveis nem mesmo em grandes hospitais privados do país. Além das 14 UTIs automatizadas, outras oito unidades hospitalares serão modernizadas, ampliando a integração entre assistência, ensino e inovação tecnológica no sistema público de saúde.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o projeto levará medicina de ponta às regiões mais distantes do país, reduzindo a concentração de serviços de alta complexidade nas capitais. Para ele, a tecnologia não substitui os princípios do SUS, mas amplia sua escala, precisão e capacidade de atendimento universal.
Cerimônia marca momento histórico para o Banco e o Brasil
A presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, afirmou que a assinatura do financiamento para o hospital inteligente do SUS representa um marco histórico tanto para o Brasil quanto para o Banco do Brics. Dilma ressaltou que o projeto “vai fazer a diferença no Brasil” e inaugura uma nova etapa de atuação do banco no país.
Dilma Rousseff atribuiu ao presidente Lula a liderança política e a visão estratégica que permitiram viabilizar o projeto. Para ela, a iniciativa expressa uma escolha evidente do governo federal pela vida, pela saúde pública e pelo fortalecimento do SUS.
Segundo ela, o NDB não tinha, até então, a prática de financiar projetos estruturantes no Brasil com esse nível de complexidade tecnológica e impacto social. Dilma destacou que o hospital não é uma adaptação de estruturas existentes, mas uma construção pensada para um novo padrão de cuidado.
A presidenta do NDB enfatizou que o projeto é fruto direto da cooperação internacional no âmbito do Brics, com papel central da China e da Índia. Segundo ela, ambos os países contribuíram não apenas com financiamento, mas com a disposição de compartilhar tecnologias e experiências acumuladas em sistemas de saúde de grande escala.
Hospitais de referência em Xangai, Pequim e instituições indianas como a Narayana Health foram citados como modelos de excelência que inspiram a concepção do hospital brasileiro, especialmente na combinação entre alta qualidade assistencial e redução de custos.
Em seu discurso, Dilma ressaltou o caráter único do SUS, destacando seu modelo universal, federativo e cooperativo. “O SUS não é apenas um sistema de cuidado, é também um ativo econômico e tecnológico”, afirmou, defendendo que o hospital inteligente fortalecerá a resiliência do sistema público e ampliará o acesso da população à medicina de ponta.
Outro ponto central do projeto é a formação de quadros especializados. Dilma afirmou que parte dos recursos, inclusive a fundo perdido, será destinada à capacitação de profissionais brasileiros, com o objetivo de integrar conhecimentos médicos e tecnológicos. “Nossos médicos também terão de ser tecnólogos”, disse, ao destacar a importância de preparar equipes capazes de operar e desenvolver as novas soluções.
Segundo a presidenta do NDB, o hospital inteligente brasileiro deverá se tornar referência para outros países do Brics, da América Latina e de organismos internacionais, consolidando o Brasil como polo de inovação em saúde pública.
SUS avança para nova fronteira tecnológica
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o acordo marca a entrada definitiva da saúde pública brasileira na chamada “nova fronteira tecnológica”, com uso intensivo de inteligência artificial, medicina de alta precisão e integração digital de serviços em todo o país.
Padilha afirmou que o projeto permitirá ao SUS oferecer tecnologias de ponta hoje restritas a hospitais privados de excelência — e, em alguns casos, ainda inexistentes mesmo no setor privado brasileiro — como um direito universal, gratuito e garantido pelo Estado.
De acordo com o Ministério da Saúde, experiências semelhantes observadas na China e na Índia indicam redução de até cinco vezes no tempo de espera por atendimento em urgências e emergências. “Na saúde, tempo é vida”, destacou Padilha ao defender a centralidade do projeto para salvar vidas e reduzir sequelas permanentes.
Além da infraestrutura hospitalar, o projeto aposta fortemente na transferência de tecnologia. Parcerias com empresas chinesas, indianas e de outros países do Brics, financiadas pelo banco do bloco, deverão ser estabelecidas em associação com empresas brasileiras, estimulando a produção nacional, a inovação, a geração de empregos qualificados e o fortalecimento do Complexo Industrial da Saúde.
Medicina de precisão e justiça social
A professora Ludhmila Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP, destacou que o projeto representa uma mudança estrutural no modelo de atenção à saúde, especialmente diante do envelhecimento da população e da alta incidência de doenças cardiovasculares, câncer e traumas. Segundo ela, tecnologias como trombectomia no AVC e intervenções rápidas no infarto já estão disponíveis, mas ainda não chegam à maioria da população por falhas de integração do sistema.
“O SUS inteligente é um instrumento concreto de justiça social”, afirmou Hajjar, ao defender que o acesso à medicina de alta complexidade não pode depender da capacidade de pagamento do paciente.
O ministro da Fazenda substituto, Dario Durigan, informou que o projeto mobiliza cerca de R$ 1,7 bilhão em investimentos, combinando recursos do Banco do Brics, do Orçamento da União e do Novo PAC. Ele ressaltou que o financiamento foi aprovado após rigorosa avaliação técnica e fiscal, reforçando o compromisso do governo com responsabilidade social e sustentabilidade.
Fonte: vermelho
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