

Foi realizado no dia 22 de janeiro de 2026, em Honduras, reunião que marcou o encerramento e a apresentação dos resultados do projeto de cooperação técnica “Energia e Luz para a Vida – Yu Raya”, implementado em parceria com a Secretaria de Energia de Honduras, no âmbito do Programa de Cooperação Trilateral Brasil–União Europeia–Alemanha. O evento foi coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, em parceria com a Agência Alemã de Cooperação para o Desenvolvimento, GIZ, e a Secretaria de Energia hondurenha, reunindo ainda representantes institucionais, população beneficiada e parceiros envolvidos na iniciativa.
O projeto Yu Raya, que significa Novo Amanhecer, tem o objetivo de ampliar o acesso à eletricidade em áreas rurais e isoladas do país, com foco especial em comunidades indígenas da região de La Mosquitia, no departamento de Gracias a Dios. Uma dessas comunidades é Sirsirtara, formada majoritariamente por famílias do povo originário miskitu e, historicamente excluída do acesso à rede elétrica.
Ao longo de sua implementação, a iniciativa combinou troca de experiências técnicas, fortalecimento institucional e capacitação de recursos humanos, contribuindo para a sustentabilidade das políticas públicas no setor energético hondurenho. Como resultado, 171 residências, além de duas igrejas, uma escola, um centro de saúde e outros espaços comunitários de Sirsirtara, passaram a contar, pela primeira vez, com acesso à energia elétrica por meio de sistemas solares fotovoltaicos. A ação beneficiou diretamente 862 pessoas, sendo 429 mulheres e 433 homens. O projeto instalou uma antena de internet e instalou equipamentos de internet (infraestrutura e computadores) em uma escola e em um centro de saúde.
- Eletricidade em Honduras – paineis solares
O fortalecimento de capacidades técnicas e institucionais se deu por meio da capacitação de mais de 600 técnicos hondurenhos e o desenvolvimento de ferramentas de monitoramento e verificação, além de indicadores socioeconômicos e ambientais aplicáveis a projetos de eletrificação social.
Em missão ao Brasil, os especialistas hondurenhos conheceram simuladores de microrredes, além de todo o sistema operacional e as regulações normativas do setor. A visita, encabeçada pela ABC, foi feita à sede da Agência Nacional de Energia Elétrica do Brasil (ANEEL) e a empresa (re)Energisa parceiras brasileiras na iniciativa que compartilharam práticas de sustentabilidade em Projetos de Eletrificação Social. A empresa Equatorial Energia participou de uma das etapas de capacitação a técnicos hondurenhos realizada em Honduras, a partir de sua experiência em fornecimento de energia sustentável junto a comunidades ribeirinhas da Amazônia brasileira, especialmente na região das Ilhas de Belém-PA.
Durante o evento de encerramento, o representante da Embaixada do Brasil em Honduras, Ministro Conselheiro José Eduardo Fernandes Giraudo, ressaltou que o projeto demonstra como a cooperação trilateral pode gerar resultados concretos quando se baseia na confiança, na corresponsabilidade e na apropriação local. Destacou o projeto como sendo um exemplo de cooperação moderna, inovadora e orientada ao desenvolvimento.
“A experiência reafirma o compromisso do Brasil com a cooperação Sul-Sul Trilateral, baseada na troca de conhecimentos, em soluções adaptadas às realidades locais e no fortalecimento de capacidades nacionais, destacando que o acesso à energia é um pilar do desenvolvimento por impactar diretamente educação, saúde, segurança, oportunidades econômicas e dignidade, especialmente em áreas isoladas como La Mosquitia”, afirmou.
A Chefe de Cooperação da Delegação da União Europeia em Honduras, Cristina Marin ressaltou que o projeto irá melhorar as condições de vida das famílias rurais em um esforço coletivo que ao fornecer energia elétrica levou luz, esperança e oportunidades para um futuro melhor. “O que significa para o futuro desenvolvimento de uma criança o fato de ela acender a luz com um botão?”, indagou aos participantes.
Alice Guimarães, da GIZ, lembrou que a importância do projeto reside no fato de que ele é um projeto piloto, significando que a replicabilidade dele é uma realidade. “Quando analisamos conjuntamente, GIZ, União Europeia e a ABC percebemos que os dados do projeto nos mostravam que era importante a ser escolhido e implementado.”
Inclusão
O acesso à eletricidade gerou impactos concretos na qualidade de vida da população, ao melhorar as condições de iluminação domiciliar, ampliar o tempo disponível para atividades educativas, facilitar a comunicação por meio da recarga de telefones celulares e reduzir a dependência de fontes tradicionais e poluentes, como velas e lamparinas a querosene. Na escola local, a eletrificação permitiu melhores condições de ensino, com uso de equipamentos básicos e maior flexibilidade de horários de aulas, fortalecendo as oportunidades educacionais para crianças e jovens.
Outro aspecto relevante foi o enfoque de inclusão social e respeito cultural. A participação ativa da comunidade indígena desde as etapas iniciais, o uso da língua miskita e a gestão comunitária dos sistemas energéticos contribuíram para fortalecer o empoderamento local e garantir a sustentabilidade das soluções implementadas.

- Eletricidade em Honduras- comunidade envolvida – comunidade envolvida
O encerramento do projeto Yu Raya consolida um legado técnico, institucional e social relevante para Honduras, ao estabelecer um modelo de geração de energia adaptado para comunidades geograficamente isoladas e de difícil acesso, com potencial de replicação em outras regiões do país e em contextos semelhantes em países da América Central e do Caribe, além de reafirmar o compromisso do Brasil com a cooperação orientada ao desenvolvimento sustentável.
A representante da Organização Latino Americana e Caribenha de Energia (OLACDE), Glória Alvarenga, afirmou que Honduras passa por avanços no setor. Atualmente, segundo ela, a cobertura da eletrificação, que é de 86% da população, tem seus desafios geográficos e de distribuição territorial. Por isso, os resultados do projeto apresentados nesse encerramento “são um reconhecimento ao um processo justo, sustentável e inclusivo”, destacou.
Fotos: Registro do Projeto.
Fonte: ABC – Agência Brasileira de Cooperação.
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