
O presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregou neste sábado, 7, o líder oposicionista Gadi Eisenkot de formar o novo governo do país – decisão que pode encerrar a longa trajetória do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder. Ex-chefe das Forças Armadas israelenses, Eisenkot terá 28 dias para construir uma coalizão com maioria no Parlamento, prazo que pode ser estendido por mais duas semanas. Se não tiver êxito, Israel caminhará para novas eleições – entre 2019 e 2022, o país realizou cinco pleitos por causa de repetidos bloqueios políticos.
A missão dada a Eisenkot será oficializada em cerimônia prevista para domingo, 8, na residência presidencial em Jerusalém. As eleições legislativas do fim de outubro, as primeiras desde o início da guerra em Gaza em 8 de outubro de 2023, terminaram sem maioria tanto para Netanyahu e seus aliados, quanto para o bloco de Eisenkot. No entanto, o líder oposicionista conta com o apoio dos partidos árabes e também abriu a porta, nesta semana, para uma até então improvável aliança com os judeus ultraortodoxos. Isso seria suficiente para que ele governasse.
Depois de realizar consultas com todos os partidos ao longo da semana, Herzog anunciou que confiará primeiro a Eisenkot “a missão de formar o governo”. Nas redes sociais, Eisenkot se pronunciou: “Chegou o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei de tudo para que estejamos à altura”.
Após as eleições, Herzog havia manifestado sua preferência por um governo de unidade nacional que reúna os israelenses judeus de todo o espectro político. Netanyahu reivindicou o mesmo, mas a oposição defende que o primeiro passo deve ser a saída dele da liderança – Netanyahu é o primeiro-ministro que ocupou o cargo por mais tempo na história de Israel, somando mais de 18 anos no cargo ao longo de três períodos distintos. Se for derrubado, ele poderá enfrentar penas de prisão por casos de corrupção que pesam sobre ele, além de ser alvo de uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional pela guerra em Gaza.
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Nos últimos dias, Netanyahu atacou a oposição por considerar acordos com os árabes-israelenses, descendentes dos palestinos que permaneceram no território após a criação do Estado de Israel, em 1948. Neste sábado, horas antes do anúncio do presidente, ele qualificou os partidos árabes de islamistas e afirmou que uma coalizão com eles “desmantelaria o Estado de Israel por dentro”.
(Com AFP)
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https://veja.abril.com.br/mundo/presidente-de-israel-escolhe-rival-de-netanyahu-para-formar-novo-governo/
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