
As manifestações convocadas por sindicatos estudantis e movimentos juvenis aconteceram neste sábado (7) em várias cidades francesas, em geral sem grandes incidentes. No entanto, a dispersão de alguns atos terminou em confrontos entre manifestantes e forças de segurança, sobretudo em Paris.
A intersindical da juventude, que reúne organizações de estudantes do ensino médio e universitários, estimou em cerca de 250 mil o número de participantes em todo o país, incluindo 75 mil na capital. Já o Ministério do Interior contabilizou 146 mil manifestantes e descreveu o dia como “globalmente calmo e sob controle”.
Organizadas por sindicatos, entidades estudantis e movimentos de juventude, as mobilizações mantêm a pressão sobre o governo. As reivindicações envolvem o aumento do custo de vida, a perda do poder de compra e a piora das condições sociais na França. Embora o ambiente tenha sido relativamente pacífico durante boa parte do dia, a tensão cresceu no fim da tarde em algumas cidades.
Em Paris, após o encerramento oficial do ato, as autoridades ordenaram que os participantes deixassem a Praça da Nação, ponto final do cortejo. Parte deles permaneceu no local, e alguns lançaram morteiros artesanais contra os policiais, que responderam com gás lacrimogêneo.
A dispersão também interrompeu a entrada ao vivo dos jornalistas Johan Bodin e James André, da emissora France 24, por volta das 18h10. As imagens mostraram Bodin envolvido por uma nuvem de gás; ele interrompeu a participação depois de começar a tossir. Em Lyon, onde as autoridades não haviam autorizado manifestações, concentrações e deslocamentos de grupos levaram à intervenção policial. Também houve incidentes durante a dispersão em Marselha e Bordeaux, em escala menor que na capital.
Diante do risco de distúrbios, o governo mobilizou 70 mil policiais e agentes de segurança pelo país. Em Paris, muitos comerciantes adotaram medidas preventivas semelhantes às de protestos anteriores: várias lojas fecharam e protegeram as vitrines com tapumes para evitar danos em caso de vandalismo.
A adesão deste sábado foi expressiva, mas ficou abaixo da observada em atos recentes. Na quinta-feira (5), durante a jornada nacional convocada pela coalizão sindical em defesa dos salários e do poder de compra, as autoridades registraram 575 mil participantes, enquanto os sindicatos estimaram 1,6 milhão. O número de sábado também foi inferior ao dos três sábados anteriores, sinalizando possível desgaste após semanas consecutivas de mobilizações.
Apesar da redução, a pressão sobre o governo segue elevada. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, receberá representantes de estudantes do ensino médio e universitários na próxima segunda-feira (9), em Paris, para iniciar uma rodada de negociações sobre as reivindicações. Os organizadores esperam respostas concretas, enquanto o governo tenta evitar que a crise social se amplie nos meses que antecedem a eleição presidencial de 2027.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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