
O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, prometeu nesta sexta-feira (6/11) ressarcir integralmente os clientes afetados pela crise do Ueno Bank e determinou a adoção de medidas imediatas para devolver os valores aos correntistas.
“Os compatriotas que hoje enfrentam um momento difícil em consequência do descalabro financeiro serão plenamente compensados. Não vamos deixá-los sozinhos”, declarou Alliana em seu primeiro discurso após assumir o comando do país. A fala ocorre em meio à turbulência política causada pelo colapso da instituição financeira.
O presidente também prometeu uma resposta rápida do governo e defendeu que os clientes com menos recursos tenham prioridade. “Ordeno que sejam tomadas medidas imediatas para ressarcir os poupadores, priorizando os menos favorecidos. Não quero nenhum indeciso encarregado desta missão. Quero resultados”, afirmou.
Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai após o impeachment de Santiago Peña, aprovado pelo Senado nesta sexta-feira (6/11). Horas depois de ser destituído, Peña foi detido em casa por ordem da Procuradoria e colocado em prisão domiciliar, sob suspeita de envolvimento em irregularidades relacionadas ao Ueno Bank.
O ex-presidente fez parte do grupo de acionistas da instituição financeira até março de 2025. Alliana deve permanecer no cargo até agosto de 2028, quando termina o mandato.
CRISE BANCÁRIA
O Banco Central do Paraguai colocou o Ueno Bank sob intervenção em 3 de novembro, depois de identificar que o índice de solvência da instituição havia recuado para menos da metade do mínimo previsto em lei. A piora ocorreu após ajustes nas demonstrações financeiras durante um processo de regularização.
A instituição, que funcionava como banco digital, tinha aproximadamente 3 milhões de clientes em um país com cerca de 7 milhões de habitantes. A intervenção impediu que correntistas acessassem imediatamente contas e depósitos e provocou manifestações em Assunção e em outras localidades.
O Banco Central começou a devolver os valores por meio do Fundo de Garantia de Depósitos. A etapa inicial abrange clientes com até 10 milhões de guaranis depositados, sem dívidas com o banco e que tenham contas em outras instituições financeiras. A legislação prevê cobertura de até 228,3 milhões de guaranis por depositante e instituição.
IMPEACHMENT DE SANTIAGO PEÑA
A crise financeira também afetou o governo de Santiago Peña, que renunciou nessa quinta-feira (5/11), enquanto o Congresso avançava com o processo de impeachment. Nesta sexta (6/11), o Senado aprovou a destituição do então presidente.
Peña foi acusado por parlamentares de conflito de interesses e de interferir na fiscalização do banco. O ex-presidente havia sido acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025.
Também foram levantados questionamentos sobre a concentração de recursos públicos e previdenciários na instituição. Peña negou irregularidades e disse que o caso deveria ser conduzido pelas autoridades judiciais.
Além do processo político, o colapso do Ueno Bank levou à abertura de investigações criminais. Oito executivos ligados à instituição foram detidos, enquanto as autoridades apuram suspeitas de irregularidades financeiras e responsabilidades pela situação do banco.
O Banco Central declarou que o procedimento de resolução pretende proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro. A autoridade monetária também destacou que o episódio é específico da instituição e não representa uma crise generalizada no sistema bancário paraguaio.
Tags: crise econômica, Paraguai, presidente
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