Uma semana depois de conquistar a Libertadores Feminina com o Cruzeiro, Ana Flávia Souza ainda tenta assimilar tudo o que viveu em Quito, no Equador. Aos 23 anos, a jogadora participou da campanha que terminou com o primeiro título continental da equipe mineira e, mesmo após o retorno a Belo Horizonte e as comemorações com a torcida, admite que a dimensão da conquista ainda parece difícil de acreditar.
Em entrevista exclusiva à VEJA, concedida na última quinta-feira (5), Ana Flávia relembrou os dias intensos no Equador, os bastidores da decisão contra o Corinthians e a recepção das campeãs em Belo Horizonte. A atleta, que chegou ao Cruzeiro após defender o América-MG, também falou sobre os sonhos para os próximos anos e a expectativa de disputar a Copa das Campeãs da FIFA.
— Até agora eu estou anestesiada de tudo que vivi, de tudo que aconteceu. Nem passava pela minha cabeça — afirmou a jogadora, ao ser questionada se imaginava conquistar a Libertadores tão cedo na carreira.
Dos dias em Quito à virada de postura na final
A campanha do Cruzeiro foi marcada por uma sequência intensa de partidas, com pouco tempo de recuperação e os desafios impostos pela altitude de Quito. Para Ana Flávia, que participou dos jogos a partir da segunda rodada, a experiência foi tão desgastante quanto especial.
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— Eu ainda não acreditava que estava indo viver uma Libertadores. Tinha dias em que eu parava para pensar: “Caraca, olha tudo que estou vivendo”. A gente tinha um ou dois dias, no máximo, para treinar e já ia jogar. Descansava um dia, treinava e jogava novamente. Foi tudo uma loucura, o que a gente viveu foi indescritível — contou.
Na semifinal contra o Olimpia, o Cruzeiro encontrou dificuldades para superar um adversário que já havia enfrentado na fase de grupos. Segundo a atleta, a conversa no intervalo foi importante para reorganizar a equipe e garantir a classificação.
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A situação se repetiu na decisão contra o Corinthians. Depois de um primeiro tempo complicado, as jogadoras se reuniram no vestiário para ajustar a postura da equipe. Ana Flávia destacou o papel da zagueira Vitória Calhau, uma das atletas que mais se manifestaram durante a conversa.
— A gente chegou ao intervalo e estava todo mundo falando ao mesmo tempo. A Calhau foi a que mais falou, incentivando a gente a sair jogando, dizendo que dava, que não precisava se desesperar. Acho que isso fez muita diferença. Principalmente por ser alguém que estava dentro de campo, sentindo o jogo. Todo mundo conseguiu falar o que queria fazer e colocar em prática.
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O gol de Letícia Ferreira, que levou a decisão para os pênaltis, foi um dos momentos mais emocionantes para a jovem atleta.
— Foi muita felicidade. A gente estava apreensiva, o jogo estava quase acabando, e ela faz o gol do empate para ir aos pênaltis. Eu olhava para todo mundo, todo mundo pulando de felicidade, se abraçando. Foi só felicidade naquele momento.
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Festa em Belo Horizonte surpreendeu a campeã
Se a conquista em Quito já havia sido difícil de assimilar, a recepção da torcida cruzeirense em Belo Horizonte tornou a semana ainda mais especial. As jogadoras foram recebidas no aeroporto e participaram de uma carreata até o ginásio do clube, acompanhadas por torcedores que celebraram o título inédito.
Ana Flávia contou que nunca havia vivido uma comemoração daquela dimensão e se surpreendeu com o carinho recebido.
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— Quando a gente chegou ao aeroporto, quando escutei a torcida, já me deu um frio na barriga. Nunca tinha vivido isso de perto. Eu não esperava que, até na carreata, tivesse gente correndo. Teve gente que foi acompanhando a gente correndo até chegar ao ginásio. Foi muito especial ter o carinho da torcida, que abraçou a gente naquele momento.
Segundo a jogadora, a ideia da carreata partiu principalmente de Byanca Brasil, embora outras atletas também tenham comentado sobre a possibilidade de comemorar com os torcedores.
A conquista também foi celebrada pela família de Ana Flávia, que acompanhou a decisão à distância e entrou em contato com a atleta logo após o apito final.
— Acabou a final, a gente estava comemorando, e minha família estava toda junta. Eles me ligaram. Foi especial e importante demais. Eles sempre estão comigo. Esse título é a realização de um sonho.
Sonho de Seleção Brasileira e Barcelona no horizonte
Antes de chegar ao Cruzeiro, Ana Flávia defendia o América-MG. A possibilidade de disputar a Libertadores Feminina foi um dos fatores que pesaram na decisão de mudar de clube, especialmente pelo caráter histórico da primeira participação das Cabulosas na competição.
Agora, com o título continental no currículo aos 23 anos, a atleta já estabelece novos objetivos para a carreira.
— A gente tem o sonho de ganhar muitos títulos, mas acho que ganhar um Brasileiro e ir para a Seleção também são sonhos meus. Estar na Seleção — destacou.
O Cruzeiro também já começa a olhar para os desafios internacionais que terá pela frente. A conquista da Libertadores garantiu ao clube a oportunidade de disputar a Copa das Campeãs da FIFA, e um possível confronto com o Barcelona já entrou nas conversas entre as jogadoras.
— A gente até brinca: “Vamos ver se o Barcelona é tudo isso mesmo”. Já falaram: “Vamos analisar o Barcelona”. Então já está rolando. A gente fala brincando, mas já pensa nisso — revelou Ana Flávia.
Enquanto o próximo desafio internacional não chega, o Cruzeiro ainda tem o Campeonato Mineiro pela frente. A jogadora encerrou a entrevista com uma mensagem de agradecimento aos torcedores que acompanharam a equipe durante a campanha histórica.
— Quero agradecer à Nação Azul por todo o apoio, por abraçar a gente e também por acreditar. Ainda temos um Mineiro e espero que eles possam estar novamente com a gente nas arquibancadas.

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https://veja.abril.com.br/coluna/linha-de-frente/ana-flavia-ainda-vive-emocao-de-conquistar-a-libertadores-anestesiada/
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