
247 – Uma ala do Palácio do Planalto aguarda que o presidente Lula (PT) faça uma sinalização concreta ao mercado financeiro antes de embarcar para a COP31, na Turquia, segundo Neila Guimarães, no Metrópoles. Para esses aliados governistas, o aceno econômico precisa superar o pronunciamento oficial programado pelo presidente em cadeia nacional de rádio e televisão para este domingo (8).
Entre as alternativas debatidas nos bastidores por interlocutores está a indicação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para assumir o comando do Ministério da Fazenda. A eventual nomeação é apontada pelo grupo como um instrumento capaz de transmitir estabilidade ao setor financeiro e explicitar as diretrizes para a política econômica do próximo mandato presidencial.
Alckmin e alternativas na Fazenda
Um interlocutor do governo definiu a possível escolha de Alckmin como um “presente de aniversário”, visto que o vice-presidente completa 74 anos neste sábado (7). Contudo, o nome do ex-governador paulista divide espaço nas cogitações com o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, enquanto a permanência de Dario Durigan na pasta também permanece em aberto nas avaliações do Executivo.
A perspectiva de antecipar tais definições, no entanto, colide com a postura adotada publicamente pelo presidente. O titular do Planalto tem demonstrado resistência em adiantar a divulgação do futuro ministro da Fazenda, sinalizando que os nomes da equipe econômica serão revelados apenas após o encerramento de sua agenda internacional no exterior.
Viagem internacional e articulação com o Congresso
Além da discussão sobre os rumos da economia, a viagem presidencial para a Turquia e para as Filipinas é avaliada pelo entorno de Lula como uma oportunidade estratégica para estreitar o diálogo com o Congresso Nacional. O presidente tem partida marcada para segunda-feira (9) rumo ao território turco, onde participará da cúpula de líderes da conferência climática nos dias 11 e 12 de novembro, estendendo posteriormente o trajeto para as Filipinas.
Para compor a comitiva, Lula convidou os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), cujas participações ainda eram avaliadas por ambos. Nos bastidores políticos, o estreitamento de laços com Alcolumbre é tido como fundamental para viabilizar uma nova tentativa de conduzir o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Precedente no STF e expectativa de sinalização
A tentativa anterior de emplacar o nome de Messias na Suprema Corte enfrentou forte resistência no Legislativo e terminou rejeitada pelo Senado em abril deste ano, acumulando 42 votos contrários e 34 favoráveis. O resultado adverso evidenciou as dificuldades enfrentadas pelo Palácio do Planalto na articulação direta com a cúpula do Senado Federal.
A avaliação dos aliados é de que a viagem internacional pode funcionar como instrumento para recompor o entendimento com Alcolumbre antes da renovação na composição do Senado prevista para 2027, cenário que pode dificultar ainda mais as negociações. A expectativa dessa ala governista é que Lula aproveite a agenda dos próximos dias para endereçar mensagens tanto ao mercado financeiro, detalhando a condução econômica, quanto ao Parlamento, evidenciando abertura para pactos políticos.
https://www.brasil247.com/poder/ala-do-planalto-defende-que-lula-indique-proximo-ministro-da-fazenda-antes-de-viagem-internacional/
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