
O cenário de juros elevados no Brasil testa o investidor a manter uma posição confortável na renda fixa. Afinal, com juros de 13,75% ao ano, há poucos incentivos para investir em outros ativos. Mas ser tão conservador é a melhor saída?
Para Eric Hatisuka, CIO do Family Office Mirabaud, a única forma de proteger e rentabilizar o patrimônio é atribuindo funções inteligentes para cada parcela do seu patrimônio.
Em participação no episódio do podcast Touros e Ursos, Hatisuka afirma que o Brasil não vai virar uma Suíça da noite para o dia, mas tampouco caminhará para o colapso. Por isso, é preciso encontrar os melhores caminhos e reconhecer onde o dinheiro vai trabalhar melhor.
Sua primeira recomendação é entender que, no Brasil, as oportunidades estão em renda fixa. Entretanto, para uma boa alocação é necessário diversificar no exterior e, lá fora, investir em renda variável.
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Segundo o CIO, a tendência é que o real fique cada vez mais desvalorizado em relação ao dólar, e ele já projeta um «valor justo» entre R$ 6,00 e R$ 6,50. Com isso, a diversificação internacional deixa de ser um luxo e passa a ser uma necessidade de sobrevivência patrimonial.
A diretriz propositiva é manter entre 30% e 50% dos recursos de investimento fora do país, aplicados em moedas fortes como dólar, euro ou franco suíço.
Segundo ele, é no ambiente global, onde as «regras do jogo» sofrem menos solavancos, que o brasileiro deve investir o seu «dinheiro de risco», buscando o crescimento acelerado de empresas de tecnologia e inovação.
Já no cenário doméstico, a missão do dinheiro é outra: aproveitar as altas taxas de retorno sem correr riscos desnecessários. Como o Brasil se mantém como o «país da renda fixa», a estratégia local deve focar em gerar renda consistente.
A receita, para o gestor, é dividir a parcela brasileira com 50% em títulos pós-fixados (atrelados à Selic ou ao CDI) e 50% em papéis corrigidos pela inflação (IPCA+), priorizando vencimentos curtos e médios, de até 3 ou 4 anos.
Na bolsa de valores local, se for o caso de investir, a postura deve ser defensiva: focar exclusivamente em poucas gigantes pagadoras de dividendos ou exportadoras de commodities, como Petrobras, Vale, Itaú e BTG.
Touros e Ursos da semana
Encerrando o episódio no tradicional quadro Touros e Ursos, o presidente da Argentina, Javier Milei, foi escolhido como urso (destaque negativo) diante da alta rejeição política e perda de apoio regional.
O Ibovespa também entrou na seleção negativa, depois de registrar sua pior semana da história após o segundo turno das eleições.
Já entre os touros (destaques positivos) o dólar e as ações de tecnologia norte-americanas foram mencionados por impulsionar a «revolução da Inteligência Artificial«.
Além disso, as ações de empresas petroleiras (como Prio e Petrobras) ganharam destaque beneficiadas pela recuperação das cotações internacionais do petróleo.
Confira o episódio completo do Touros e Ursos
https://www.seudinheiro.com/2026/bolsa-dolar/touros-ursos-gestor-de-grandes-fortunas-diz-como-investir-no-governo-lula-4-mlim/
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