
O Irã ameaçou nesta quarta-feira (4) lançar mísseis contra bases militares dos Estados Unidos localizadas na Europa caso essas instalações sejam utilizadas em operações contra o território iraniano. A advertência foi feita por Ahmad Bakhshayesh Ardestani, integrante da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano.
Entre os países mencionados pelo parlamentar estão Itália e Alemanha, que abrigam instalações militares americanas e desempenham funções estratégicas na estrutura de defesa ocidental.
A declaração amplia a tensão entre Teerã, Washington e governos europeus, em meio ao conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã.
Apesar do tom da advertência, não houve anúncio de um ataque iminente contra bases europeias. A ameaça foi apresentada como uma possível resposta ao uso dessas instalações em futuras operações militares.
Parlamentar iraniano cita bases na Itália e na Alemanha
Em entrevista à rede Euronews, Ardestani afirmou que o Irã poderá considerar alvos militares americanos em território europeu caso essas instalações sejam utilizadas para apoiar ataques contra o país.
O parlamentar mencionou expressamente as bases situadas na Itália e na Alemanha, indicando que a localização geográfica não impediria uma eventual reação iraniana.
Segundo ele, o governo de Teerã não pretende permitir que países europeus ofereçam apoio operacional aos Estados Unidos sem enfrentar consequências.
Ardestani argumentou que, em confrontos anteriores, o Irã evitou ampliar sua resposta militar para instalações americanas localizadas na Europa.
Desta vez, entretanto, afirmou que a postura poderá ser diferente.
As declarações representam uma advertência política e militar, mas não confirmam que exista uma operação já autorizada contra esses países.
Guarda Revolucionária promete resposta sem limites geográficos
A ameaça do parlamentar ocorreu no mesmo contexto de um comunicado divulgado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), uma das principais estruturas militares do Irã.
Na manifestação, a organização afirmou estar preparada para responder a diferentes tipos de ameaças, independentemente da localização dos possíveis alvos.
O comunicado também mencionou diretrizes atribuídas ao líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, relacionadas à atualização da lista de objetivos estratégicos das forças armadas.
A sinalização indica que o Irã busca ampliar sua capacidade de dissuasão diante de eventuais operações militares apoiadas pelos Estados Unidos.
A Guarda Revolucionária não detalhou quais instalações poderiam integrar essa lista nem apresentou um cronograma para possíveis ações.
Irã acusa países europeus de envolvimento indireto no conflito
Ardestani também questionou a participação de governos europeus em operações militares americanas realizadas anteriormente.
Segundo o parlamentar, países que autorizam o uso de bases e instalações logísticas para ataques contra o Irã já estariam envolvidos indiretamente no confronto.
Na avaliação dele, o fornecimento de apoio militar ou operacional pode ser interpretado por Teerã como uma forma de participação no conflito.
Essa interpretação, entretanto, não significa que todos os países europeus compartilhem a mesma posição ou estejam formalmente envolvidos em operações contra o território iraniano.
A utilização de bases americanas no exterior depende de acordos militares e das condições estabelecidas entre Washington e os respectivos governos.
Uma eventual ampliação dos ataques para território europeu representaria uma escalada significativa das hostilidades.
Nova doutrina militar é mencionada por autoridades iranianas
Outro integrante da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Fada Hossein Maleki, afirmou que o país desenvolveu uma nova doutrina de resposta militar.
Segundo ele, as forças iranianas estariam preparadas para atuar em um cenário diferente dos confrontos anteriores.
Maleki declarou que a estratégia poderá surpreender tanto os Estados Unidos quanto governos europeus.
O parlamentar não apresentou detalhes técnicos sobre as mudanças mencionadas, tampouco especificou quais capacidades militares seriam utilizadas.
As declarações reforçam a tentativa de Teerã de demonstrar disposição para ampliar o alcance de suas respostas em caso de novos ataques.
Ameaça aumenta preocupação com segurança europeia
A possibilidade de ataques contra instalações militares americanas na Itália e na Alemanha acrescenta uma nova dimensão à crise envolvendo o Irã.
Os dois países integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e mantêm acordos de cooperação militar com Washington.
Um eventual ataque contra instalações situadas em território europeu poderia provocar consequências diplomáticas e militares de grande alcance.
No entanto, qualquer resposta dependeria das circunstâncias concretas de um possível incidente e das decisões adotadas pelos governos envolvidos.
Até o momento, as declarações iranianas apresentadas nesta quarta-feira possuem caráter condicional e não representam a confirmação de uma ofensiva contra a Europa.
O episódio evidencia o risco de ampliação geográfica do conflito e aumenta a pressão por iniciativas diplomáticas capazes de evitar novos confrontos.
Da IstoÉ e Ansa
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