
Os democratas chegaram a 228 cadeiras na Câmara dos Representantes nas eleições de midterms até as 7h30 da quarta-feira (4), 19 a mais do que na configuração anterior, com 68 vagas ainda em apuração. A projeção aponta para o melhor desempenho do partido desde 2008, quando Barack Obama venceu a presidência e os democratas chegaram a 257 assentos na Casa. Para obter maioria absoluta, eram necessárias 218 cadeiras das 435 em disputa.
No Senado, os democratas alcançaram 54 dos 100 assentos, sete a mais do que na eleição anterior, superando com folga a maioria mínima de 51 cadeiras. Os republicanos somavam 44 assentos, com duas vagas ainda abertas no Alasca e no Kansas. O partido também avançou nas disputas para governos estaduais, elegendo cinco novos governadores em estados antes controlados por republicanos, chegando a 28 governadores democratas contra 20 republicanos, com duas vagas ainda em aberto.
A nova configuração do Congresso representa um freio concreto à presidência de Trump. A partir de janeiro, quando os eleitos tomarem posse, os democratas poderão definir a agenda legislativa, influenciar o orçamento federal e abrir investigações parlamentares sobre o presidente, sua família e seus aliados. O Senado democrata também terá poder para bloquear indicados por Trump, incluindo eventuais candidatos à Suprema Corte caso surja uma vaga.
Na área militar, o Congresso pode sufocar financeiramente as operações contra o Irã, tornando a guerra economicamente inviável sem precisar acionar mecanismos constitucionais mais complexos. A possibilidade de abertura de um processo de impeachment também passa a existir, embora a destituição exija dois terços do Senado, patamar que os democratas estão longe de atingir.
Trump aceitou os resultados e afirmou, em entrevista ao New York Times, estar “absolutamente disposto” a governar com os democratas. Ao mesmo tempo, sinalizou que usará o veto como principal instrumento de resistência. “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, disse o presidente antes das eleições, em podcast do New York Post. O poder de veto presidencial só pode ser derrubado com dois terços dos votos em ambas as casas, margem que os democratas não possuem.
A eleição também produziu marcos históricos inéditos. Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira governadora negra eleita na história dos Estados Unidos, com a vitória na Geórgia. Na Califórnia, Xavier Becerra, filho de imigrantes mexicanos, foi eleito o primeiro governador latino do estado, derrotando o republicano Steve Hilton.
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