
Um grupo no Telegram voltou a reunir imagens íntimas de mulheres compartilhadas sem autorização e comentários sexistas na Itália. Chamado de “Phica – La rinascita” — “Phica – O Renascimento”, em tradução livre —, o espaço recupera o nome e a dinâmica do portal Phica.eu, apreendido pela Polícia Postal italiana em setembro de 2025 após denúncias de divulgação ilegal de conteúdo privado.
A entrada no novo grupo ocorre após o envio de um pedido de adesão. Uma vez aceitos, usuários publicam fotografias de mulheres identificadas como amigas ou companheiras e estimulam outros participantes a comentar as imagens. Também há relatos de disputas entre publicações, com a oferta de vídeos como recompensa.
O número de integrantes aumentou de forma acelerada. Em 2 de novembro, a ANSA informou que a comunidade reunia cerca de 1,5 mil membros. Mais tarde, a la Repubblica relatou que o total havia ultrapassado 11 mil participantes em poucos dias.
Reação política
A reaparição do grupo provocou reação de parlamentares italianas. A senadora Raffaella Paita, líder do Italia Viva no Senado, defendeu o bloqueio imediato do chat e classificou a circulação de imagens manipuladas, roubadas e acompanhadas de comentários ofensivos como uma forma de violência contra mulheres.
O portal Phica.eu havia se tornado alvo de investigações após receber imagens de mulheres sem consentimento. Entre as vítimas que denunciaram a exposição estavam figuras públicas italianas, como a primeira-ministra Giorgia Meloni, a influenciadora Chiara Ferragni e a eurodeputada Alessandra Moretti.
Ainda não há confirmação de que os administradores do novo grupo sejam os mesmos responsáveis pelo site original. A identificação de gestores de chats e canais pode exigir investigação específica, sobretudo diante dos mecanismos de privacidade das plataformas de mensagens.
O que prevê a lei italiana
Na Itália, a divulgação não autorizada de imagens ou vídeos sexualmente explícitos destinados a permanecer privados pode configurar crime. O artigo 612-ter do Código Penal prevê pena de um a seis anos de prisão e multa de 5 mil a 15 mil euros, com possibilidade de agravantes conforme as circunstâncias do caso.
A legislação também prevê responsabilização para quem recebe esse material e volta a compartilhá-lo com o objetivo de causar dano à pessoa retratada. A apuração de eventuais crimes, porém, depende da identificação dos responsáveis e da análise do material pelas autoridades.
Da IstoÉ e Agência ANSA
https://istoe.com.br/chat-sexista-telegram-expoe-mulheres-italia
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