
Com comunidades em todos os Estados Unidos rejeitando data centers, cresce a pressão política para limitar sua construção. Mas, a milhares de quilômetros de distância, o maior país da América do Sul já é um dos principais mercados de IA e está facilitando a chegada de grandes projetos. O Brasil tem sido cortejado pelas gigantes do setor para a construção de grandes projetos de data centers, e pode se tornar uma válvula de escape para a demanda reprimida nos EUA.
Por que data centers são importantes?
Os data centers são a espinha dorsal da economia digital, abrigando servidores que processam desde transações bancárias até modelos de inteligência artificial. No entanto, essas estruturas consomem enormes quantidades de energia e água, gerando controvérsias em regiões onde a infraestrutura elétrica já está sobrecarregada. Nos EUA, a resistência local tem levado a restrições e atrasos em projetos, o que abre espaço para outros mercados.
O Brasil, com sua matriz energética majoritariamente renovável e território vasto, desponta como destino natural para esses investimentos. A fonte não detalhou os números exatos de consumo, mas especialistas apontam que a disponibilidade de energia limpa é um diferencial competitivo.
Brasil já é potência em IA
Os brasileiros enviam 215 milhões de mensagens ao ChatGPT por dia, segundo a OpenAI, o que torna o país o terceiro maior mercado do criador do chatbot em número de usuários semanais, atrás dos Estados Unidos e da Índia. Esse volume massivo de interações demonstra a familiaridade da população com ferramentas de IA e a demanda crescente por infraestrutura local.
O Google disse que planeja dobrar sua infraestrutura de nuvem no país até 2030 em resposta à crescente demanda, e chegou a assinar um acordo de patrocínio com a Confederação Brasileira de Futebol em março para integrar o Gemini às seleções nacionais masculinas, femininas e de base. A iniciativa reforça o interesse estratégico da big tech no mercado brasileiro.
Incentivos fiscais impulsionam o setor
Uma lei sancionada pelo presidente Lula reduziu impostos de equipamentos para data centers, tornando o ambiente de negócios mais atrativo para investidores estrangeiros. A medida busca equiparar o Brasil a outros países da região que já oferecem condições tributárias mais favoráveis.
Com uma população de quase 215 milhões de pessoas distribuídas por uma área maior do que a dos 48 Estados contíguos dos Estados Unidos, o Brasil faz sentido como um país a ser cortejado pelas empresas de hiperescala. A combinação de mercado consumidor robusto e incentivos governamentais cria um cenário promissor.
Demanda local versus transferência de operações
A demanda local, e não a transferência de operações de empresas americanas para o exterior, impulsionou grande parte do crescimento dos data centers na América Latina. Mas Carlos Barrera, CEO da Atlas Renewable Energy, acredita que isso pode mudar. “De fato, vemos a região como uma válvula de escape atraente para algumas das restrições de capacidade que vocês estão vendo agora nos Estados Unidos”, disse.
Essa visão é compartilhada por outros analistas. “A reação negativa nos Estados Unidos não está tanto expulsando as empresas de hiperescala do país, mas direcionando-as para onde a energia estiver disponível primeiro”, disse à Fortune James Mercer, diretor da Metro Colo Advisory, empresa de consultoria em data centers. Ou seja, o Brasil pode captar projetos que seriam inviáveis em solo americano devido à escassez de energia ou à oposição comunitária.
Desafios: energia e impostos
Mas a eletricidade barata do Brasil também pode ficar mais cara. Barrera disse que o Brasil precisará de mais linhas de transmissão para conectar grandes data centers à rede elétrica, e que autoridades do governo estão divididas sobre a possibilidade de as contas de luz aumentarem ou não. A expansão da infraestrutura de transmissão é um gargalo crítico para viabilizar novos empreendimentos.
Outro obstáculo ao crescimento da IA no Brasil é o sistema tributário. Os altos impostos federais de importação tornavam mais caro construir grandes data centers no País em comparação com outros países da região. Embora a recente desoneração de equipamentos represente um avanço, a carga tributária sobre outros insumos e serviços ainda preocupa investidores.
Para empresários e comerciantes do noroeste paulista, o desenvolvimento de data centers pode gerar oportunidades indiretas, como demanda por serviços de construção, manutenção, segurança e alimentação. A instalação de grandes estruturas em cidades médias do interior poderia aquecer a economia local, criando empregos formais e movimentando o comércio regional.
Perguntas Frequentes
Por que o Brasil pode se tornar uma alternativa aos EUA para a construção de data centers?
O Brasil é visto como uma válvula de escape para as restrições de capacidade nos EUA, onde comunidades estão rejeitando data centers, e o país já é o terceiro maior mercado do ChatGPT, com 215 milhões de mensagens diárias.
Quais empresas de tecnologia estão investindo em data centers no Brasil?
O Google planeja dobrar sua infraestrutura de nuvem no país até 2030 e assinou acordo com a CBF para integrar o Gemini às seleções; outras gigantes do setor também têm cortejado o Brasil para grandes projetos.
Quais são os principais desafios para a expansão de data centers no Brasil?
O Brasil precisa de mais linhas de transmissão para conectar data centers à rede elétrica, e os altos impostos federais de importação encarecem a construção em comparação com outros países da região.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Don Omar pospone concierto en California por una infección respiratoria severa
- ★Premios Soberano 2027: los conductores oficiales serán Nahiony Reyes y Juan Carlos Pichardo Jr.
- ★Mercado de trabalho: agência divulga lista de vagas em Foz do Iguaçu
- ★Empresa quer lançar 50 mil satélites para iluminar a Terra durante a noite
- ★Brasil — Câncer de próstata provoca cerca de 50 mortes por dia no Brasil, aponta levantamento

