
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou, em 15 de outubro, que pretendia deixar a presidência do Banco Master e transferir a gestão para outro executivo caso fosse concluído o projeto de reorganização societária com o Banco de Brasília.
O depoimento foi tornado público e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal nesta 5ª feira (29.out.2026). Segundo Vorcaro, a intenção era constituir um conglomerado financeiro envolvendo o Banco Master e o BRB.
Assista ao vídeo (2min28s):
Segundo Vorcaro, o projeto passou por diferentes configurações ao longo das negociações e estabelecia uma estrutura administrativa comum, embora Master e BRB continuassem com operações próprias.
O empresário afirmou que enfrentava pressões do mercado financeiro e resistência pessoal à sua permanência na gestão. Por isso, disse que já considerava deixar o comando executivo do Master antes da conclusão das conversas com o BRB.
“O meu interesse naquele momento, além de criar esse conglomerado, era sair da situação de executivo, porque eu entendia que eu estava sofrendo uma pressão mercadológica por questões de mercado mesmo –que já existe há 30 anos no mercado, o cartel que opera assim. […] Mas existia também uma resistência pessoal contra mim. Eu não queria que isso fosse levado para esse novo banco, então já existia o interesse de sair da gestão”, afirmou.
Inicialmente, segundo Vorcaro, foi considerada a possibilidade de ele permanecer em um conselho de administração. Posteriormente, afirmou ter abandonado também essa hipótese.
O fundador do Master disse que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, passou a ser considerado para assumir uma função executiva na nova estrutura.
As alternativas incluíam a presidência de uma holding ou funções de comando nas instituições integrantes do conglomerado. Vorcaro afirmou que a definição dependia do modelo societário escolhido e das exigências do Banco Central para a aprovação dos administradores.
O empresário também relacionou essa possível mudança de gestão à discussão sobre imóveis que seriam disponibilizados a Costa em São Paulo e Brasília. Vorcaro nega envolvimento no sistema de pagamento de propina e lavagem de dinheiro por meio de apartamentos, apontado pela investigação da PF.
Vorcaro também negou que a oferta de moradia estivesse vinculada à aprovação de operações financeiras entre os bancos. Disse que pretendia organizar uma transição de comando e que a reorganização societária não chegou a ser concluída.
“Eu não prometi imóvel para ele. Prometi moradia como parte do benefício de ser gestor do banco”, afirmou Vorcaro ao ser questionado sobre conversas relacionadas à disponibilização de apartamentos em Brasília e São Paulo.
OUTRO LADO
O Poder360 questionou a defesa de Paulo Henrique Costa sobre a declaração de Vorcaro, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.
https://www.poder360.com.br/poder-justica/vorcaro-diz-que-pretendia-deixar-a-gestao-do-banco-master/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
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