
Mobilizar os trabalhadores por seus interesses materiais é o caminho para disputar a influência conquistada pela extrema direita e enfrentar a identificação da esquerda com um governo que promete e não entrega, sustentou o diretor-geral de AND, Victor Costa Bellizia, na síntese do A Propósito #379, de 27 de outubro.
“Essas pessoas todas, simples do povo, mesmo acreditando eventualmente que certas coisas que a extrema direita fala fazem sentido, podem mudar de ideia e defender valores progressistas se nós soubermos como colocá-las em movimento”, afirmou. “Isso tem nome: é a luta de classes.”
O alcance dessa orientação, explicou o representante do jornal, vai além dos que já se reconhecem nas forças progressistas. É preciso pôr em movimento contingentes de trabalhadores e camponeses entre os quais a extrema direita ganhou influência, pois a derrota de Flávio no segundo turno não anulou esse avanço.
A experiência da luta revela quem defende os interesses do povo
A luta pelas reivindicações materiais coloca essas massas em choque com as classes dominantes e, por isso, permite disputar sua consciência, explicou o diretor-geral. É nela que os trabalhadores podem reconhecer quem está por trás da aparência de proximidade com o povo cultivada pela extrema direita.
“Quando elas lutam por melhorar suas condições de vida, lá, no enfrentamento radical, vão ver os fascistas e a extrema direita apoiando a repressão policial”, afirmou ao explicar como esse choque revela a posição dos fascistas: diante das reivindicações populares, negam sua legitimidade e defendem que sejam reprimidas.
Ao mesmo tempo, prosseguiu, o convívio com quem defende seus direitos e compartilha os riscos da luta transforma a relação dos trabalhadores com as bandeiras vermelhas. Em vez de vê-las apenas como símbolo do governo distante e de seus acordos, passam a reconhecê-las na ação de pessoas que vivem e lutam como eles.
“Vão começar a associar as bandeiras vermelhas à luta, a pessoas simples que as mobilizam, que vivem como elas e que, na contenda, na luta de classes, vertem o mesmo sangue, o mesmo suor que elas, que, portanto, são pessoas dignas”, afirmou o diretor-geral do jornal.
Foi essa ligação entre a experiência da luta e a disputa da consciência que sintetizou: “É assim que se vence, no terreno ideológico na sociedade, a extrema direita.”

A rejeição ao bolsonarismo precisa desenvolver organização
A disposição de impedir a vitória bolsonarista, ressaltou o representante do jornal, não pode ser convertida em obrigação de defender todos os atos do governo oportunista. Afinal, “O que fez com que a extrema direita perdesse as eleições foi a rejeição à extrema direita, não o apoio ao PT”, avaliou ao examinar o significado da votação.
Em Tombos (MG), o prefeito bolsonarista Tiago Dalpério (PP) ameaçou cortar o transporte universitário após a derrota de Flávio. Em 27 de outubro, anunciou a intenção de suspender o serviço e, no dia 28, fez troça dos estudantes que contestaram a ameaça. As publicações vieram depois das mobilizações contra o bolsonarismo realizadas na unidade da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) em Carangola.
A tarefa já havia sido colocada no plantão de 25 de outubro, o A Propósito #378, quando o diretor-geral insistiu em “mobilizar o grosso das massas populares na luta de classes”. Naquela análise, ligou essa orientação à organização das categorias pelos sindicatos, contra as contrarreformas e por salários e direitos, à ampliação da luta estudantil e ao avanço da luta camponesa pela terra.

É nesse trabalho que “as forças pequenas, mas combativas, podem exercer uma influência grande”, como destacara naquela edição. O exemplo de luta e a disposição de enfrentar as classes dominantes permitem alcançar as bases que querem combater, inclusive nas organizações dirigidas pelo oportunismo.
A contenção dessas bases pela social-democracia voltou à análise do #379: em vez de organizar a luta permanente, denunciou o diretor-geral, ela chama as pessoas a “bater palmas, soltar fogos, acender sinalizadores, votar e voltar para casa depois”. Quem procura prosseguir no combate precisa, portanto, de organizações que atuem todos os dias, com independência diante do governo.
Essa continuidade já se expressa na campanha da Liga Anti-imperialista no Distrito Federal. Em 26 de outubro, depois do segundo turno, ativistas realizaram uma intervenção na Praça do Reggae, em São Sebastião, conversando com trabalhadores e jovens, denunciando a ingerência ianque e distribuindo exemplares de AND. A atividade encerrou uma campanha que também percorreu Sobradinho II, Ceilândia e Taguatinga.
Ao movimento democrático-revolucionário cabe acolher e desenvolver essa disposição; os mais avançados, que procuram onde se organizar para lutar permanentemente, são muito bem-vindos. A unidade que o diretor-geral defendeu se constrói no protesto popular e na defesa dos interesses das massas: “Apenas o movimento popular, as forças revolucionárias e populares, em unidade tática com todas as outras forças que se reivindicam populares e democráticas, em unidade tática com todos os que apostam no protesto popular, podem criar essa situação de combate à extrema direita”, concluiu.

ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Türkiye destaca avances históricos con Paraguay en comercio, inversiones y carne
- ★Paraguay — Desempleo en Paraguay baja a un récord histórico, con 66.000 personas incorporadas a la población ocupada en el último trimestre
- ★Inversión directa en Paraguay alcanza cifra récord de USD 1.151 millones en 2025
- ★Lula avalia dar ministério ao PT de Minas após vitória no 2º turno
- ★Itamaraty convoca diplomata argentina por apoio à fuga de Flávio

