
A PPSA (Pré–Sal Petróleo) conseguiu vender toda a produção de 1,1 milhão de metros cúbicos por dia de gás natural da União prevista para 2027, que foi ofertada nesta quinta-feira no primeiro leilão de gás natural da União. A arrecadação para os cofres públicos chegou a R$ 377 milhões.
Entenda:
Entrevista:
O certame foi dedicado exclusivamente às indústrias química e petroquímica; siderúrgica, metalúrgica e de mineração; de fertilizantes; cerâmica; e vidreira. O volume foi fracionado em 110 lotes de 10 mil metros cúbicos por dia cada. Ao todo, o leilão teve 32 empresas participantes, como Vale, Gerdau, Ternium, CSN e Yara.
Houve um ágio médio de 35%, segundo a PPSA. Com esse resultado, a molécula do gás natural chegará para a indústria a um preço médio estimado de US$ 5,83 por milhão de BTU (MMBtu, a unidade internacional de medida do gás), abaixo dos valores comercializados hoje, que variam entre 10 a 12% do valor do Brent (cuja média foi superior a US$ 100 em outubro).
O diretor-presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, comemorou o resultado do leilão. Os 1,1 milhão de metros cúbicos por dia ofertados pela estatal equivalem a cerca de 0,6% da produção média brasileira de gás natural, segundo especialistas.
— A demanda por gás é muito maior do que a gente imagina. Os cinco setores compraram 100% da produção de 1,1 milhão de metros cúbicos por dia. Isso significa que todos os setores tinham demanda reprimida. E isso representa que os preços vão cair e a exportação vai aumentar — disse Paroli.
Segundo ele, em 2027, a PPSA fará um novo leilão de gás, com oferta de 1,8 milhão de metros cúbicos por dia.
— Esse leilão foi a nossa estreia. Apenas um dos setores não teve ágio. Esse leilão é um marco para a indústria nacional — afirmou.
Queda nos preços
Segundo Renato Dutra, secretário nacional de Petróleo do Ministério de Minas e Energia (MME), houve queda no preço do gás. Ele citou o setor de vidros, com queda no preço de 38% no preço do gás. Ele lembrou que houve recuo de 56% no preço pago hoje pelo setor de cerâmica e de 46% nos segmentos de mineração, siderurgia e metalúrgico. No químico e petroquímico, a redução foi de 56% e de 57% para o segmento de fertilizantes.
– Isso vai beneficiar a sociedade brasileira. Esses setores são históricos. Isso foi possível com as mudanças nas regras.
Para realizar o certame, foram feitos ajustes no leilão após a empresa receber 320 contribuições de 22 agentes. As mudanças tiveram como objetivo conferir maior flexibilidade às empresas no processo de habilitação e aumentar a eficiência do leilão. Entre as principais alterações, destaque para a possibilidade de participação de indústrias ainda em migração para o mercado livre.
O gás natural da União será entregue aos compradores na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, que fica no Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj), entre março e dezembro de 2027. A partir daí, caberá aos vencedores do leilão contratar o serviço de transporte diretamente ou por meio de uma empresa comercializadora de gás habilitada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), garantindo a logística do gás natural até a unidade consumidora.
Segundo Paroli, o preço inicial do leilão definido pela PPSA trouxe uma margem de lucro limitada, deixando com que cada segmento pudesse elevar essa margem.
– O resultado mostra que cada segmento tem uma capacidade de organização e de competitividade diferente. Isso explica as diferenças de preço. Essa elevação de margem trouxe o aumento da arrecadação da União nos limites da capacidade de pagamento de cada segmento – complementou ele.
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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