
247 – O grupo jurídico Prerrogativas acionou a Polícia Federal (PF) e a Justiça Eleitoral para pedir a investigação da contratação da empresa Elytron pela campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A iniciativa questiona a natureza dos serviços prestados e as diferenças entre os valores declarados e os pagamentos identificados.
Segundo reportagem do site The Intercept, a Elytron oferece serviços de manipulação política em eleições com o uso de inteligência artificial. A campanha do PL nega essa finalidade e afirma que contratou a empresa para serviços de segurança cibernética.
Em notícia de fato encaminhada à Polícia Federal, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, integrantes do Prerrogativas, mencionam documentos que descrevem o uso de contas falsas, disseminação de boatos, produção de deepfakes e operações de guerra psicológica contra adversários.
“A questão é saber se, por trás do discurso de segurança digital, houve contratação de uma máquina de desinformação para interferir na eleição brasileira”, afirmam os advogados. Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, o grupo pede que o PL apresente os detalhes do contrato e esclareça a diferença entre os valores registrados nas prestações de contas e os pagamentos à empresa.
Prerrogativas questiona diferença nos pagamentos
De acordo com o grupo jurídico, a campanha de Flávio Bolsonaro emitiu notas fiscais válidas no valor de R$ 600 mil referentes à Elytron. Além disso, o partido PL teria pago outros R$ 131,9 mil à empresa. A prestação de contas parcial, porém, registrou uma despesa de R$ 1 milhão com a contratada.
“Flávio e o PL precisam abrir os contratos e explicar os pagamentos: são R$ 600 mil em notas fiscais válidas da campanha e outros R$ 131,9 mil pagos pelo partido à Elytron. A prestação de contas parcial, porém, declarou despesa de R$ 1 milhão com a empresa. Essa diferença exige esclarecimento, assim como os serviços efetivamente entregues e a eventual participação de estruturas estrangeiras”, diz o Prerrogativas.
O grupo também solicita esclarecimentos sobre os serviços efetivamente executados e uma possível participação de estruturas estrangeiras nas atividades da empresa. “A democracia brasileira não pode ser capturada por dinheiro, mentiras e operações clandestinas”, acrescenta o grupo jurídico.
Confira o que diz a Elytron
“A Elytron repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública. A empresa atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro.
A empresa não foi contratada pela campanha de Donald Trump, não prestou serviços a ela ou a intermediários a ela vinculados e não autorizou a realização de apresentações comerciais em seu nome para oferecer operações de influência política. Caso seja confirmado que parceiros comerciais ofereceram serviços irregulares em nome da Elytron, sem sua autorização, a empresa adotará as medidas contratuais e judiciais cabíveis para responsabilizar os envolvidos e resguardar sua reputação.
Importante reforçar que Vincent Reed jamais teve qualquer relação com a Elytron Do Brasil, que desconhecia sua atuação.”
https://www.brasil247.com/brasil/prerrogativas-aciona-pf-e-justica-eleitoral-para-investigar-contrato-de-flavio-bolsonaro-com-elytron/
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