
Da rebeldia da juventude que tomou as praças após o primeiro turno à indignação ensurdecedora das janelas, o Brasil trabalhador entra em vigília antifascista para barrar o projeto do atraso da extrema-direita aliada a ultradireita de Trump e Rubio.
Há datas que marcam o compasso da história não apenas pelos votos depositados nas urnas, mas pelo som cru, vibrante e coletivo das ruas e das casas. Os dias seguintes ao dia 4 e a noite de ontem, 16 de outubro, entraram para o calendário das grandes reações populares do Brasil.
Exatamente no momento em que a televisão exibia a face e o discurso do candidato Bolsonaro Filho à Presidência, as janelas de dezenas de cidades se abriram num estrondo.
O que irrompeu dali — unindo o ronco persistente de quem ocupa as ruas e praças, desde 5 de outubro, à fúria metálica das panelas da noite do dia 16 — não foi apenas ruído. Foi a voz inegociável de uma população que se recusa a flertar novamente com o abismo do fascismo, do negacionismo e da barbárie.
Das metrópoles aos bairros populares, de São Paulo ao Rio de Janeiro, de Recife a Salvador, o metal bateu ritmado contra o metal, transformando sacadas em trincheiras urbanas contra a tentativa desesperada de normalizar um projeto político que destruiu lares e zombou da vida. De milhares de vidas.
A centelha que veio do primeiro turno
Esse eco que ressoou nas janelas encontra sua raiz mais viva na energia que tomou o país logo após o resultado do primeiro turno, em 4 de outubro.
Secundaristas, universitários e a nova geração do primeiro voto decidiram que não ficariam em silêncio.
Com cartazes, bandeiras e a força de quem tem o futuro inteiro pela frente, esses jovens voltaram às ruas e puxaram os mais velhos para o centro da praça.
A juventude brasileira mostrou que “ainda está aqui” e que recusa o projeto de desmonte da pátria, num movimento que não se via desde as Diretas Já, em 1983 e 1984. Uma campanha que ganhou as ruas e mobilizou milhões de brasileiros.
Um marco da luta pela redemocratização do país, transbordando das praças para as sacadas e unindo gerações no mesmo grito de resistência.
A crueldade criminosa
Não podemos esquecer, e jamais esqueceremos, a crônica de uma tragédia anunciada.
Mais de 700 mil vidas brasileiras foram tragadas pela Covid–19, sendo que cerca de 400 mil dessas mortes poderiam ter sido evitadas se houvesse ciência, empatia e vacina no tempo certo.
E não a sabotagem sistemática, o deboche e a necropolítica praticadas por Jair Bolsonaro, o pai e padrinho político que agora tenta retornar ao poder com o nome do filho, Flávio.
Os órfãos da pandemia, as famílias enlutadas e o povo brasileiro carregam essa ferida aberta que explode nas ruas, nas calçadas e nas redes, em memória das vítimas da irresponsabilidade criminosa dos Bolsonaro.
O bolsonarismo tem as mãos marcadas pelo sangue e pela desolação de centenas de milhares de lares destruídos. Os órfãos da tragédia voltam às urnas munidos da certeza de que estão aqui para dizer
“não podemos e não vamos esquecer o que vocês fizeram no governo de Jair Bolsonaro.”
A herança do caos
O candidato Flávio, filho mais velho de Jair, repete com orgulho que tem “Bolsonaro no sangue” e que vai “honrar o legado do meu pai”, e arremata:
“ele vai subir a rampa comigo em janeiro de 2027″.
Mas qual é, de fato, esse legado que Bolsonaro Filho afirma que vai honrar sobre todas as coisas?
A tragédia do governo de Jair, que Flávio Bolsonaro jura Deus que vai continuar, é responsável por medidas e desastres profundos contra a população que marcaram o período de 2019 a 2022.
A herança maldita
Os pontos nevrálgicos dessa herança catastrófica revelam-se em dez fatos inegáveis:
- A gestão criminosa da pandemia da Covid–19, que resultou em centenas de milhares de mortes evitáveis, zombando da ciência e sabotando vacinas.
- O desmonte histórico das políticas de proteção ambiental e o incentivo institucional à devastação da Amazônia e dos territórios originários.
- O retorno vergonhoso do Brasil ao Mapa da Fome, impulsionado pela disparada da inflação dos alimentos e pelo arrocho da renda.
- O desmantelamento de direitos sociais e trabalhistas, precarizando ainda mais a vida da classe trabalhadora e da juventude.
- O aprofundamento do isolamento internacional do país, submetendo a política externa a alinhamentos subalternos e vexatórios.
- A proliferação sistemática de escândalos de corrupção e a imposição de sigilos de 100 anos para blindar aliados e familiares.
- Os ataques diários e coordenados às instituições democráticas, à imprensa livre e ao sistema eleitoral brasileiro.
- A herança de um país endividado, desorganizado administrativamente e socialmente fraturado pelo discurso de ódio.
- A recusa frontal em aceitar o resultado das urnas quando perdeu as eleições de 2022 para Lula.
- A articulação criminosa de uma tentativa de golpe de Estado contra a Democracia, que previa o assassinato do presidente Lula e do vice-presidente Alckmin.
As ruas contra o projeto do caos e da morte
Enquanto nos estúdios da mídia hegemônica a tentam conferir verniz de normalidade institucional a um herdeiro político do caos, o mundo real, a outra metade da população, já deu o seu veredito nas pesquisas.
O ronco das ruas e o barulho das panelas invadiu a sala de estar de milhões de brasileiros para lembrar que o fascismo não passará incólume pela nossa história.
Estamos a oito dias exatos do momento em que o Brasil vai às urnas. Em disputa está um candidato da extrema-direita, aliado de primeira hora aos Estados Unidos de Trump e Rubio, aos quais Bolsonaro Filho jurou entregar as riquezas brasileiras.
Biografia
Não podemos esquecer e não vamos esquecer a biografia manchada de crimes e mortes do filho de Jair, de prenome Flávio — o herdeiro que jurou “honrar o legado de meu pai” para repetir o desastroso e trágico governo Bolsonaro.
Faltam apenas oito dias para o segundo turno. Dia 25 de outubro. Pegue sua arma chamada título de eleitor. Procure seu lugar na fila da seção eleitoral. E vote em quem merece seu voto.
Escolham o melhor. Votem consciente com duas perguntas na cabeça:
quem é o candidato que está mais próximo do meu modelo de presidente da República?
Qual dos dois tem biografia mais próximo da que eu considero o melhor?
É chegada a hora de o ronco ensurdecedor das ruas e o barulho metálico das panelas se transformarem em voto para o grito definito:
Bolsonaros, nunca mais!
https://www.brasil247.com/blog/bolsonaros-nunca-mais/
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