
O Datafolha de 8 de outubro marcou 52% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro (PL) e 48% para Luiz Inácio (PT). Em seguida, outros levantamentos confirmaram “Rachadinha” na dianteira para a disputa do segundo turno das eleições burguesas. O avanço eleitoral da extrema direita, que promulga um governo ultrarreacionário abertamente anticomunista e vassalo do imperialismo ianque, exige uma resposta que comece agora, com a mobilização das massas em defesa da soberania nacional e das liberdades democráticas.
Essa foi a conclusão central do A Propósito #375, transmitido em 8 de outubro, com a participação do diretor-geral de AND. “O remédio é mobilização de massas. O remédio é educar as massas no combate ao imperialismo”, afirmou o representante do jornal. Para ele, a preparação da resistência passa pela luta dos operários por seus direitos, pela mobilização estudantil e, principalmente, pela Revolução Agrária. É nesse caminho que se desenvolvem as forças da Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista.
Assista ao programa na íntegra:
O representante de AND demarcou o alvo principal: “O problema é que ela é a força mais interessada e com menos amarras para atacar as liberdades democráticas, e vai atacar com mais ferocidade do que outras forças. Então é claro que o alvo principal é essa extrema direita”. O projeto de Flávio “Rachadinha” oferece a expressão mais aberta da ofensiva da contrarrevolução, do imperialismo ianque e do latifúndio, voltada a aprofundar a submissão do País e a repressão às forças que lutam pelos direitos do povo.
O oportunismo alimenta esse avanço ao prometer combater a extrema direita, mas governar com a direita sob falsas bandeiras vermelhas. “A velha democracia, em geral, e o oportunismo, em particular, ao levarem adiante uma política de frustração das massas, porque servem às classes dominantes de forma cada vez mais desavergonhada, abrem espaço para a extrema direita”, afirmou. Ao desmobilizar os trabalhadores, o oportunismo deixa essas massas expostas à demagogia “antissistema” bolsonarista e impede que constituam uma força independente para enfrentar a reação.



Combater a ofensiva bolsonarista e a ingerência ianque
A urgência dessa resistência aparece nas ameaças de incendiar a Universidade Federal Fluminense (UFF) e agredir estudantes, difundidas no grupo “Juntos com Bolsonaro”. Em São Jerônimo da Serra (PR), uma explosão atingiu a unidade da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 8 de outubro; a autoria do ataque ainda não estava esclarecida.
Ao analisar as ameaças bolsonaristas durante a transmissão, o diretor-geral de AND defendeu que o movimento popular enfrente diretamente esses grupos: “Tem que combater os fascistas, a extrema direita. Isso tem que ser prática no movimento popular”. O representante do jornal situou essa tarefa em cada frente de luta: “São os estudantes, os operários, os camponeses, em cada área em que atuem, que têm de confrontar a extrema direita e seguir o exemplo da prática mais consequente dos democratas”.
A ofensiva conta, ainda, com a sabujice da caserna. Generais consultados pelo UOL admitem operações com tropas do país Estados Unidos (EUA) nas fronteiras sob eventual governo Flávio, alegadamente sob comando brasileiro, enquanto manifestam preocupação com bases permanentes. Flávio oferece a via política mais explícita para essa militarização: promete levar o Brasil ao “Escudo das Américas” e utilizar o rótulo de “terrorismo” para ampliar a cooperação com Washington. O Alto Comando das Forças Armadas (ACFA), marcado pelo anticomunismo e pela vassalagem histórica ao imperialismo ianque, procura recompor seu protagonismo na ofensiva contrarrevolucionária preventiva sob a bandeira do combate ao “narcoterrorismo”.
O representante de AND relacionou a ingerência ianque à disputa pelo controle das riquezas nacionais. “Querem um controle mais absoluto possível das reservas minerais do País e ter acesso militar ao Brasil, seja para ter bases aqui, seja para ter tropas atuando aqui. É isso que eles querem”, afirmou.
O apaziguamento preservou as forças da contrarrevolução
É frente a esse inimigo principal que se evidencia a responsabilidade política do oportunismo. O governo Luiz Inácio manteve o adestramento conjunto com tropas ianques, apaziguou com os generais golpistas e ajudou a recompor sua imagem. José Múcio, ministro da Defesa, chamou os acampamentos diante dos quartéis de “manifestação da democracia”, em janeiro de 2023, e depois atribuiu às Forças Armadas reacionárias a “manutenção da democracia”. Enquanto isso, a prisão do golpista Jair Bolsonaro em gaiola de ouro e a punição às arraias miúdas da bolsonarada de 8 de janeiro de 2023 foram apresentadas como se significassem a derrota política da extrema direita, particularmente da bolsonarista.
As condenações não desmontaram a tutela militar nem a colaboração com o imperialismo. O resultado está diante das massas: o bolsonarismo ampliou sua presença no velho Estado. O diretor-geral do jornal relacionou esse crescimento à frustração produzida por um governo que fala à esquerda e conserva políticas de direita, ao mesmo tempo que contém as lutas populares em nome de sua “governabilidade”.
“Nós chamávamos de ‘reformismo sem reformas’. Não tem reformas nesse sentido. Ele é pior do que uma social-democracia, só tem a aparência”, afirmou o representante do jornal. “E mesmo quando a gente fala em ‘conciliação de classes’, tem que usar entre aspas, porque nem isso é exatamente o que acontece.” As promessas não cumpridas, a preservação das contrarreformas e o bloqueio à mobilização popular revelam esse conteúdo.

Ao tratar das lições de Dimitrov, Stalin e da Internacional Comunista para a luta antifascista, o representante de AND distinguiu um governo que não é fascista de um governo efetivamente antifascista. Este último deve combater as forças da reação e favorecer a organização independente do proletariado. Não basta disputar votos com a extrema direita ou adotar para si um nome de esquerda.
Na política oportunista, as massas ficam reduzidas à torcida do governo: sua participação serve para votar e defendê-lo, enquanto as lutas capazes de impor direitos são contidas. A frente antifascista defendida pela Internacional Comunista tinha como princípio “mobilizar audazmente as massas, mobilizar permanentemente as massas”, explicou o diretor-geral do jornal. A organização independente dos trabalhadores permite que atuem como força política capaz de enfrentar a reação.

Na síntese apresentada pelo representante de AND, “esse tipo de governo social-democrata ordinário é a antessala do fascismo”: ao frustrar os trabalhadores, favorece sua divisão e permite que parte deles seja capturada pela reação. Por isso, explicou, “a posição da Internacional Comunista era pegar as promessas desses governos, mobilizar as massas, inclusive as que estão sob a direção dos oportunistas, para fazer com que arranquem essas promessas na unha”.
O desmascaramento ocorre nessa luta concreta. “E aquelas promessas que não cumpriu nós devemos usar para desmascarar o papel que esses governos cumprem, que, inclusive, ao não serem antifascistas, na prática colaboram objetivamente com o crescimento do fascismo”, afirmou. Na avaliação do representante do jornal, a experiência brasileira confirma o problema: “esse governo não foi um governo antifascista”. A resposta é unir os trabalhadores na luta por suas reivindicações e contra os ataques da reação, inclusive aqueles que ainda seguem as direções oportunistas.
O avanço bolsonarista não se explica pela abstenção
As tentativas de culpar quem não votou escondem essa experiência. A abstenção atingiu 21,08% em 2026, enquanto o cálculo ampliado de AND, que reúne ausências, brancos, nulos e uma estimativa demográfica de pessoas fora do cadastro, chegou a 51,88 milhões. O indicador não identifica uma consciência política uniforme entre essas pessoas. Ele aponta a dimensão do afastamento da velha ordem e, portanto, o terreno que democratas e revolucionários precisam disputar contra a extrema direita.

Nos mil municípios de menor renda, o levantamento apresentado no programa encontrou aumento de 663 mil votos para o bolsonarismo, contra apenas 35,6 mil para Luiz Inácio, ao mesmo tempo que abstenções, brancos e nulos diminuíram em quase 149 mil registros. Mais comparecimento, nesse conjunto, conviveu com maior avanço relativo do PL. Esses totais não permitem identificar o percurso de cada eleitor, mas contestam a suposição de que os ausentes formariam uma reserva automática de votos para o PT.

Luiz Inácio continuou vencendo em 971 dessas cidades, mas perdeu participação nos votos válidos em 954. O dado mostra a penetração da extrema direita também entre parcelas das massas pobres, durante um governo que dizia representá-las.

No Rio de Janeiro, o cruzamento apresentado no programa encontrou vantagem de Flávio no quinto de bairros de menor renda, com exceções importantes, como a Rocinha. O problema exige disputar politicamente essas massas: mostrar o caráter antipopular da extrema direita e a responsabilidade das direções que as frustram, em vez de acusar o povo de ignorância.

É essa disputa que dá conteúdo à campanha de boicote eleitoral. Segundo o diretor-geral de AND, ela “combate muito mais a extrema direita do que o oportunismo”, porque denuncia o bolsonarismo como parte do sistema que diz combater. A tarefa dos democratas e revolucionários é alcançar as massas descontentes com a velha ordem e mostrar que a falsa promessa antissistema da extrema direita serve ao imperialismo e ao latifúndio.
Mobilizar para derrotar a extrema direita
Essa orientação também responde à acusação de “aceleracionismo”. Uma posição de “quanto pior, melhor” significaria preferir Flávio e trabalhar por sua eleição, explicou o representante de AND. A posição de AND procura a derrota da extrema direita e diverge do oportunismo sobre o caminho para alcançá-la. “E não é verdade que ‘quanto pior, melhor’. Por isso achamos que deve ser feita outra coisa”, afirmou. “As massas populares imobilizadas serão presas fáceis dos ataques da reação. Então é preciso mobilizá-las.”
O mesmo critério vale para a defesa das liberdades democráticas na intelectualidade. O representante do jornal reconheceu o valor da atuação de estudantes e intelectuais nessa defesa, mas advertiu: “Os intelectuais e a pequena burguesia frequentemente confundem defesa das liberdades democráticas com defesa da velha democracia”. Ao identificar os direitos do povo com a preservação das instituições ou de um governo, parte desse setor acaba tolerando ataques desde que não tenham a forma mais explícita utilizada pela extrema direita. A unidade democrática precisa assentar-se na luta contra os ataques, venham de onde vierem.
Além disso, o diretor-geral do jornal apontou que a extrema direita usa o racismo, o machismo e a perseguição às chamadas minorias para dividir o povo, e relacionou a força dessa propaganda reacionária desmobilização das massas: “As massas populares, imobilizadas pelo oportunismo, desmoralizadas pelo oportunismo, ficam crescentemente despolitizadas em função disso, se não encontram o caminho revolucionário, é claro”. “O oportunismo, ao colocar peso nessas questões que chamamos identitárias, ao colocar essa luta como se fosse a decisiva do campo político, também contribuiu para que a extrema direita ganhasse força entre as massas”, afirmou o representante de AND. Enquanto concentra a disputa nessas pautas, contém a luta dos trabalhadores por seus interesses comuns e deixa as massas expostas à propaganda bolsonarista. “É na luta que as pessoas vão mudando sua consciência, e não fora da luta”, afirmou.
Na defesa dos povos indígenas, a mobilização precisa enfrentar a expansão do latifúndio e a cobiça imperialista pelas reservas minerais do País. O representante de AND advertiu que esses interesses ameaçam os territórios e que o projeto bolsonarista agrava o perigo com sua submissão aos ianques. “Quanto maior for a resistência aos ataques concretos, qualquer que seja o governo, maior a chance de frustrar os interesses deles”, afirmou. A solidariedade à Palestina, por sua vez, requer resistência às tentativas de criminalizar a luta anti-imperialista no Brasil. “A defesa da Palestina será maior quanto maior for a luta do movimento popular, inclusive em defesa da Palestina”, afirmou o diretor-geral do jornal.
Ao avaliar os dois cenários eleitorais, o representante do jornal advertiu: “Se Flávio Bolsonaro ganhar as eleições, as liberdades democráticas estarão ameaçadas mais gravemente do que hoje. Se Luiz Inácio ganhar, o imperialismo ianque vai levantar uma desordem no País junto com Flávio Bolsonaro”. Para o diretor-geral de AND, essa ameaça exige mobilizar desde já as massas para enfrentar a ofensiva contrarrevolucionária preventiva.
“De todos fatores que estão postos sobre a mesa, a eleição é um deles; não é o mais importante”, afirmou. “O que é chave e urgente é fazer realmente uma grande mobilização em defesa da soberania do País, em defesa das liberdades democráticas, contra os ataques, venham de quais forças vierem, e desmascarar, inclusive, a demagogia do oportunismo.”
A luta contra a escala 6 por 1, as greves operárias e as reivindicações estudantis devem tornar-se frentes de mobilização, politização e organização audaz, apontando à Greve Geral de Resistência Nacional. Nas cidades, cabe às forças democráticas e anti-imperialistas apoiar e difundir a Revolução Agrária, ser sua caixa de ressonância, ligando a luta pelos direitos imediatos à luta por uma Nova Democracia, com nova política, nova economia e nova cultura.
Na luta pela terra, os camponeses precisam enfrentar a violência do latifúndio, organizar sua autodefesa e decidir sobre a terra que conquistam. “E isso vai educando os camponeses nos valores democráticos mais radicais”, explicou o representante desta tribuna. Essa experiência desenvolve a consciência antifascista e anti-imperialista e acumula forças para a Revolução Democrática, Agrária e Anti-imperialista. O diretor-geral do jornal apontou onde essa resistência já se prepara: “Na Revolução Agrária, na luta revolucionária pela terra, sob direção do movimento camponês combativo, particularmente da Liga dos Camponeses Pobres (LCP).”

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