Para celebrar a data, iniciativa do Greenpeace Brasil reúne a cena na Batalha do Coliseu (RJ) e reafirma a cultura periférica como ferramenta de mobilização por justiça climática


Para comemorar um ano de projeto, o Corre de Quebrada, iniciativa do Greenpeace Brasil que conecta a pauta de justiça climática à cultura Hip–Hop, lança um vídeo manifesto protagonizado por importantes nomes da cena. A obra, dirigida por Negus, da produtora Artefato, destaca a arte urbana como canal de ação e formação política, conscientização socioambiental e articulação de demandas coletivas.
A produção reúne referências do freestyle e das batalhas de rima no Brasil, como Jotapê, Magrão, Neo BXD e Maria Preta. O trabalho conta ainda com as presenças da tricampeã do Slam BR e bicampeã do Slam SP Mileny, da artivista e comunicadora pernambucana Flora Rodrigues, e da cantora e escritora Esther Dsan, que utiliza o Hip–Hop e a literatura para promover transformação social e pertencimento.

Hoje, a partir dos encontros do Corre de Quebrada com a cultura, denunciamos e cobramos junto com quem vivencia diariamente os impactos de um abandono histórico que tem suas origens na formação do país, dos estados e das cidades.
Uma realidade que se manifesta no medo constante de perder a casa em temporais e enchentes, no desgaste diário sob o calor extremo nas longas horas dentro do transporte público e no impacto direto no bolso. A crise climática também deságua nas finanças da periferia encarecendo, por exemplo, o prato de comida quando a chuva alaga a safra no campo, quando infla a conta de luz durante ondas de calor ou exige carnês parcelados para repor o que foi destruído pelas enchentes.
Mas o Corre de Quebrada vai muito além de denunciar as desigualdades, também valoriza a arte que vem do povo como símbolo de resistência e ferramenta concreta de mobilização por direitos. É a afirmação direta do que diz o manifesto:
Na cultura de quebrada, quando a gente se reúne, nossa voz ganha força, eco, reconhecimento. Pra nós, a nossa cultura é uma estratégia de sobrevivência.

Para Mileny, o vídeo manifesto e o Corre de Quebrada chegam para somar trazendo um novo olhar para uma pauta conectando-a à realidade de quem já é impactado, mas que a partir desse contato é chamado a uma rede por ação:
Estamos em tempos em que o óbvio precisa ser dito em todos os lugares, mas principalmente entre os nossos. Unir vozes tão potentes da cultura hip-hop brasileira ao Greenpeace Brasil faz com que a gente leve a mensagem pra quem realmente precisa ouvir, os mais afetados pelas mudanças climáticas, quem mora nas periferias. Das crianças aos jovens e adultos, criar a referência da luta em vozes como as nossas é inspirador: “ah, então eu posso ser MC e lutar por justiça? Ah, então eu posso ser poeta e lutar contra a desigualdade social?”. O Corre de Quebrada faz acessar os lugares onde a pauta precisa estar, unindo vozes, de todos os lugares, para que alcancem todos os lugares. O vídeo manifesto é um posicionamento, é uma estaca que se finca no chão dizendo sobre o território que pertencemos, sobre a realidade que vivemos, de uma forma potente, coerente e viva!

Reforçando a importância dessa articulação, o MC e comunicador Jotapê, que também é uma das vozes do vídeo manifesto, destaca que a cultura de rua precisa tomar frente dessa pauta antes que as tragédias aconteçam:
Batalha de rima é minha vida desde que eu me entendo por gente e a gente sempre usou o rap para questionar o status quo das coisas e debater problemas sociais, econômicos e culturais. Mas por que não falamos do planeta e da justiça climática como falamos de tudo? Nas quebradas, a gente costuma debater isso só quando a catástrofe acontece, quando acontece uma enchente, um deslizamento ou quando o calor fica insuportável. Sou nascido no Jardim Paraíso (em São Paulo) e sei bem o que é ver o bairro debaixo d’água. Nós deveríamos ser ensinados nas escolas sobre a importância desse tema. O Corre de Quebrada vem para provocar essa conscientização coletiva antes que a água suba, e cabe a nós enxergar essa pauta nos candidatos que escolhemos eleger. Cuidar do planeta devia ser o mínimo para qualquer ser humano. E essa é a importância de nos unirmos e estarmos juntos combatendo e conversando sobre isso”.
Uma fala que reforça o que fez o Corre nascer, conforme esse outro trecho do manifesto destaca:
É pra isso que o Corre de Quebrada existe: um corre por justiça climática, pra somar na voz da quebrada, dar peso à vivência do território e transformar força coletiva em cobrança real. Fazer pressão onde precisa e apoiando a cultura de rua.

Foto: Julliana Nascimento (@jullyfotosport)
Nesse primeiro ano, o Corre de Quebrada percorreu cinco estados nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. E a mais recente ação que marca essa comemoração é a parceria com a Batalha do Coliseu, no Rio de Janeiro, onde unimos o lançamento do vídeo manifesto a uma grande convocação coletiva por um olhar crítico no momento de votar, considerando o cenário de emergência climática, seus impactos desiguais e o protagonismo das vozes da quebrada.
Celebrar o primeiro aniversário do Corre nesse espaço é reconhecer a batalha como um polo legítimo de resistência, formação cidadã e valorização da cultura periférica. A realização da edição, em parceria com a produtora Nexus Company, combinou a energia das batalhas de rua com a identidade e o propósito do projeto.
Aniversário do Corre de Quebrada na Batalha do Coliseu, no Buraco do Lume, Rio de Janeiro
Oito MCs se enfrentaram em três fases eliminatórias guiadas por palavras conectadas à pauta de justiça climática. No freestyle, eles debateram temas urgentes do cotidiano, como racismo ambiental, enchentes, calor, saneamento básico, falta d’água e a importância do voto consciente para exigir políticas públicas reais.
Para Magneto MC, um dos fundadores e organizadores da Batalha do Coliseu, a união entre os movimentos culturais e o Greenpeace Brasil é uma convergência natural e urgente:
A pauta de justiça climática debatida no Corre de Quebrada reflete exatamente o que o Coliseu vive no dia a dia. A gente realiza a batalha toda terça-feira em frente a uma praça da Zona Norte que sofre com a destruição do espaço público, em um cenário onde muitos ignoram o meio ambiente, mas nós estamos aqui semeando a cultura. Essa parceria é necessária e a Batalha do Conhecimento é a melhor forma de instruir e dialogar fora dos padrões. Sediar a celebração de um ano do Corre é mais uma sementinha que o Coliseu planta e que tenho certeza que vai florescer muito.

Foto: Julliana Nascimento (@jullyfotosport)
Para Levinsk, campeã da noite após uma batalha impecável na final com Magrão, o debate sobre a emergência climática e a consciência de classe precisam andar lado a lado na cultura de rua:
Se você tiver mais entendimento de tudo isso que a gente tá vivendo, você pode mudar aos poucos, e se cada um mudar um pouquinho, mesmo que seja trazendo a informação, isso já gera uma grande mudança. Por isso é super importante ter uma batalha que traz consciência social, consciência de classe e entendimento da questão climática pra gente poder debater. A parada não é só concordar, mas conversar sobre. Quando a gente se anula isso, a gente finge que o problema não existe

O Corre de Quebrada é a consolidação de um pertencimento que começou a ser construído nos territórios e hoje se fortalece em uma rede viva por todo o país. Uma história que tem raízes em São Bernardo do Campo, na Batalha da Matrix, nossa primeira parceria, que abriu espaço antes mesmo de o Corre de Quebrada existir. Foi ali que, a partir de um convite do Victor Santos, voluntário do Greenpeace Brasil na cidade, chegamos à Matrix e encontramos acolhimento e confiança para começar a construir esse caminho que culminou no lançamento do projeto.
Desde então, essa rede vem ganhando novas vozes e territórios. No Rio de Janeiro, a rima afiada dos MCs tomou conta da batalha no navio do Greenpeace, realizada em parceria com a Roda Cultural do Méier. No Recife, a potência das vozes de MCs, poetas e poetisas ganhou corpo com a produção de Flora Rodrigues, reunindo a tropa da Batalha da Escadaria, Ibura Clam, Slam das Minas Pernambuco e Batalha do Trombone, que também marcaram presença no Rainbow Warrior. Em João Pessoa, os MCs mostraram a força do freestyle por justiça climática, em um encontro produzido pelo nosso parceiro Vulto MC. Em Belém, a força dos MCs e voluntários também se somou a essa construção coletiva.
São rostos, vozes e vivências que atravessam o país e afirmam que a história das cidades e do clima não será escrita sem a quebrada.
E você, tá esperando o quê pra chegar junto nesse Corre e fazer da vontade de mudar o mundo uma ação pela justiça climática?
SUA VOZ É IMPORTANTE PARA ESTE DEBATE.
https://www.greenpeace.org/brasil/blog/corre-de-quebrada-completa-1-ano-e-lanca-video-manifesto-com-grandes-nomes-do-hip-hop/
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