

*Artigo escrito por Pablo Pacheco, empresário e um dos organizadores do Vital
Quando se fala em um grande evento, é natural que as primeiras imagens sejam a do palco, dos artistas, dos trios e do público. Mas existe uma outra dimensão que acontece antes, durante e depois da festa e que, muitas vezes, não aparece para quem está apenas vivendo aquele momento: a movimentação econômica que se forma ao redor dela. O Vital é um ótimo exemplo disso.
Um evento desse porte não começa quando os portões se abrem. Ele começa muito antes, quando profissionais, fornecedores, empresas e prestadores de serviço entram em movimento para que tudo esteja pronto.
A montagem do Vital, por exemplo, se estende por cerca de um mês e mobiliza aproximadamente mil profissionais em diferentes etapas, preparando uma área de mais de 20 mil metros quadrados.
São profissionais e empresas de diferentes áreas trabalhando para que a estrutura aconteça. E essa é apenas a parte diretamente relacionada à organização do evento.
Quando olhamos para fora dos portões, encontramos uma cadeia ainda maior. O público que chega a Vitória precisa se deslocar, se alimentar, se hospedar, consumir e, muitas vezes, permanecer na cidade por mais tempo.
Restaurantes, bares, hotéis, transporte, comércio, serviços e profissionais autônomos passam a fazer parte, de alguma maneira, dessa movimentação.
Para 2026, a expectativa é de que o Vital movimente cerca de R$60 milhões na economia capixaba, considerando impactos diretos e indiretos em diferentes setores.
O evento deve atrair mais de 5 mil turistas de outros estados, além de visitantes estrangeiros, incluindo dos Estados Unidos e da Europa.
Os números do mercado brasileiro de eventos ajudam a dimensionar a força desse setor. Segundo a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), a expectativa é que o consumo no setor de recreação chegue a R$151,9 bilhões em 2026, alta de 7,8% em relação à estimativa de R$140,8 bilhões em 2025.
O impacto também aparece na geração de empregos. Em julho de 2026, o setor de eventos somava 209.034 empregos formais, enquanto o chamado hub setorial, que reúne atividades impactadas pelos eventos, chegava a 4,37 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Um dado que considero especialmente interessante é o efeito multiplicador dessa cadeia: no primeiro trimestre de 2026, para cada vaga criada no núcleo dos eventos, cerca de 16 surgiram nas atividades associadas, como turismo, hospedagem e alimentação.
É por isso que acredito que discutir o impacto de um grande evento não deveria significar olhar apenas para o faturamento gerado diretamente pela bilheteria ou pela estrutura da festa. É preciso olhar para tudo aquilo que acontece ao redor dela.
O Vital, nesse sentido, é também uma oportunidade para Vitória e para o Espírito Santo. Ao atrair pessoas de outras cidades e estados, o evento coloca o destino em circulação e cria uma ocasião para que o visitante conheça outros espaços, consuma em diferentes estabelecimentos e tenha contato com a cidade para além do evento.
Esse movimento é particularmente importante porque o turismo de eventos tem uma característica que considero estratégica: ele cria uma razão específica para as pessoas viajarem em determinada época do ano.
Em vez de depender apenas dos períodos tradicionais de férias ou de alta temporada, o calendário de eventos pode ajudar a distribuir esse fluxo ao longo do ano. E isso interessa não apenas à cidade que recebe a festa.
Quando um visitante chega a Vitória para participar do Vital, a movimentação pode alcançar diferentes municípios da Região Metropolitana.
O dinheiro circula por uma cadeia que não termina no local do evento. É o transporte que leva o visitante, o restaurante que recebe um grupo de amigos, o comércio que vende um produto, o profissional que presta um serviço ou o hotel que acomoda quem veio de fora.
Existe ainda um aspecto que considero importante: a economia que nasce da própria preparação do público.
Um grande evento também movimenta profissionais ligados à beleza, maquiagem, moda, customização de abadás, acessórios e outros serviços que ajudam a construir a experiência do folião.
São pequenos e médios negócios e trabalhadores que encontram nesses períodos uma oportunidade adicional de renda.
Por isso, quando falamos que um evento movimenta a economia, não estamos falando apenas de grandes empresas. Estamos falando também de uma série de pessoas que trabalham, fornecem, vendem e prestam serviços a partir da existência daquela demanda.
O Vital pode ser visto, portanto, como um estudo de caso de algo maior: a capacidade que grandes eventos têm de ativar diferentes setores de uma economia ao mesmo tempo.
Também acredito que existe uma discussão importante sobre o calendário de eventos do Espírito Santo. Quanto mais consistente e diversificado ele for, maior pode ser a capacidade do Estado de atrair visitantes em diferentes momentos do ano.
Grandes festas, festivais culturais, eventos esportivos, shows e outras iniciativas cumprem papéis diferentes, mas podem ter algo em comum: trazer pessoas para circular, consumir e conhecer o destino.
Depois de décadas de história, ele não representa apenas uma festa que acontece durante dois dias. Existe uma operação que começa muito antes, uma cadeia de profissionais que trabalha para viabilizá-la e uma movimentação que continua para além do Sambão do Povo.
Talvez essa seja uma das formas mais interessantes de olhar para um grande evento: entender que o entretenimento é apenas a parte mais visível de uma engrenagem muito maior.
https://www.folhavitoria.com.br/cultura/vital-quando-o-entretenimento-vira-motor-da-economia/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
REDACCIóN CENTRAL
Prensa Mercosur es un diario online de iniciativa privada que fue fundado en 2001, donde nuestro principal objetivos es trabajar y apoyar a órganos públicos y privados.
- ★Presidente Dominicano Luis Abinader aborda con secretario general de la OEA plan de acción para Haití y situación de la democracia en la región. Otras Noticias Presidenciales
- ★Presidente Abinader viajará el lunes a Roma a Foro de Alimentación
- ★Osceola estrena una vía de $36 millones: ¿terminará el alivio al tráfico?
- ★Tampa Bay humilla a los Yankees y se acerca a la Serie Mundial
- ★Qué es y cómo se propaga la peste neumónica que se estudia en el laboratorio de Siberia donde murió una trabajadora

