
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré prendeu preventivamente nesta quarta-feira (7) um homem de 43 anos investigado por possível participação em um esquema de desvio e comercialização clandestina de cargas de cigarros. A prisão foi realizada durante uma nova etapa da investigação sobre um suposto roubo ocorrido em setembro, que resultou na apreensão de parte da mercadoria e em duas prisões.
Além da prisão, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência e no estabelecimento comercial do investigado, em Avaré. Foram encontrados cigarros de diferentes marcas, aparelhos celulares, notebooks e outros materiais considerados de interesse para a investigação.
A prisão preventiva foi autorizada pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária, em Bauru.
Segundo a DIG, o caso começou a ganhar novos contornos depois que os investigadores identificaram inconsistências na versão apresentada inicialmente sobre o desaparecimento da carga. O trabalho de inteligência envolveu o cruzamento de informações sobre o rastreamento da mercadoria, o aparelho celular utilizado pelo motorista, imagens de câmeras de monitoramento, depoimentos e registros de ocorrências anteriores.
A hipótese investigada atualmente é de que o episódio inicialmente apresentado como roubo possa, em tese, estar relacionado a um desvio previamente articulado.
O caso teve início em 8 de setembro, quando foi registrado um suposto roubo na zona rural de Avaré. A carga, pertencente à Philip Morris e transportada por uma distribuidora, era composta por 497,66 milheiros de cigarros de diversas marcas, avaliados em mais de R$ 300 mil, além de outros produtos.
O homem preso nesta quarta-feira era o motorista responsável pelo transporte da mercadoria.
Durante os primeiros levantamentos, os investigadores identificaram inconsistências relacionadas ao telefone utilizado pelo motorista, ao rastreamento da carga e à dinâmica apresentada para o desaparecimento dos produtos.
A investigação avançou após uma denúncia anônima indicar outro homem como possível responsável pela guarda de parte dos cigarros. A partir das informações recebidas, a Polícia Civil obteve autorização judicial para realizar buscas.
As imagens de câmeras de monitoramento também passaram a ser analisadas pelos investigadores. Segundo a DIG, os registros ajudaram a reconstruir os deslocamentos realizados no dia do suposto roubo e a confrontar as informações fornecidas pelos envolvidos.
Durante a apuração, a Polícia Civil identificou a participação de um VW/Gol branco e de um GM/Corsa Sedan prata na movimentação investigada.
Em depoimento, o homem preso em flagrante em setembro afirmou que acompanhava a van transportadora utilizando o Gol, enquanto sua companheira conduzia o Corsa. Segundo a versão apresentada, os veículos seguiram até uma estrada rural nas proximidades do aeroporto de Avaré, local que teria sido previamente combinado.
Os dois automóveis foram posteriormente apreendidos pela Polícia Civil.
Primeira prisão ocorreu em setembro
A primeira fase da investigação ocorreu em 18 de setembro. Na ocasião, a DIG cumpriu mandados de busca e apreensão e localizou 103 maços de cigarros, aproximadamente 136 gramas de cocaína divididos em cerca de 100 porções, 4,7 gramas de maconha, uma balança de precisão, embalagens utilizadas para acondicionamento de drogas, celulares e os dois veículos.
Os cigarros estavam escondidos dentro de um baú, sob roupas.
O homem encontrado no imóvel foi preso em flagrante. Segundo a Polícia Civil, ele admitiu ter recebido parte dos cigarros e participado da posterior comercialização da mercadoria.
Ainda conforme a investigação, ele apontou o motorista como responsável por tratativas relacionadas ao suposto esquema. A versão teve correspondência parcial com outro depoimento e foi reforçada por reconhecimento fotográfico formal, levando a DIG a aprofundar a apuração sobre a possível participação do motorista.
Investigação encontrou registros semelhantes desde 2012
Com o avanço das diligências, os investigadores passaram a pesquisar ocorrências anteriores envolvendo o motorista e cargas de cigarros da Philip Morris transportadas pela mesma distribuidora.
De acordo com a DIG, foram localizados registros nos anos de 2012, 2014, 2015, 2017, 2018, 2020 e 2026.
A análise dos casos apontou características que, segundo os investigadores, apresentam semelhanças entre si, como possível conhecimento prévio das rotas de distribuição, abordagens durante as entregas, deslocamentos para locais ermos ou áreas rurais e transferência das cargas para outros veículos.
A repetição desses elementos ao longo de aproximadamente 14 anos, somada às informações obtidas na investigação atual, levou a Polícia Civil a ampliar as diligências para identificar possíveis coautores, receptadores, intermediários e destinatários das mercadorias.
Novos cigarros e equipamentos eletrônicos são apreendidos
Na operação realizada nesta quarta-feira, os policiais localizaram diversos pacotes de cigarros de diferentes marcas, todos da Philip Morris e de possível origem ilícita.
Segundo a DIG, parte do material apresenta características compatíveis com os cigarros apreendidos na primeira etapa da investigação. Também foram encontradas balas e gomas da marca Fini, produtos que estavam entre as mercadorias relacionadas à carga investigada.
Além dos produtos, foram apreendidos dois smartphones, dois aparelhos telefônicos antigos e dois notebooks.
Os equipamentos deverão passar por análise. A Polícia Civil pretende verificar contatos, mensagens, comunicações e outros dados que possam ajudar a identificar eventuais participantes, esclarecer a destinação das mercadorias e estabelecer possíveis vínculos entre os investigados.
Delegado diz que investigação foi construída por etapas
O delegado Adriano Leite de Assis, titular da DIG de Avaré, afirmou que a prisão é resultado da continuidade do trabalho investigativo e do cruzamento de diferentes fontes de informação.
Segundo ele, a equipe não se limitou à versão apresentada inicialmente e passou a confrontar os dados obtidos durante a apuração.
“A equipe não se limitou à versão inicialmente apresentada. Foram confrontadas informações, realizadas diligências, levantamentos de inteligência e pesquisas sobre ocorrências anteriores. As apreensões, os depoimentos e os demais elementos obtidos permitiram identificar inconsistências e estabelecer novas linhas de investigação. É um caso construído por etapas, com base em elementos concretos”, afirmou o delegado.
Ainda conforme Adriano Leite de Assis, a investigação permanece em andamento.
“Os equipamentos eletrônicos apreendidos serão confrontados com as informações já reunidas. O objetivo é esclarecer integralmente a dinâmica dos fatos, identificar eventuais outros envolvidos e verificar a possível existência de uma estrutura organizada para o desvio, armazenamento e comercialização dessas mercadorias”, acrescentou.
Com a prisão em flagrante realizada em 18 de setembro e a prisão preventiva cumprida nesta quarta-feira, a DIG continua as diligências para esclarecer a destinação da carga e identificar possíveis outros participantes.
A Polícia Civil também apura a possível existência de uma associação criminosa relacionada ao desvio, armazenamento e comercialização clandestina das mercadorias.
O homem preso nesta quarta-feira permanece à disposição da Justiça e deverá ser encaminhado ao sistema penitenciário.
https://avozdovale.com.br/dig-de-avare-prende-motorista-investigado-por-desvio-de-carga-de-cigarros-e-apreende-eletronicos/
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