

Preso há sete meses, Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mudou de postura em relação ao caso Master. Segundo a Folha de S.Paulo, ele passou a dizer a interlocutores que não pretende mais permanecer em silêncio e que tem informações relevantes a revelar, inclusive sobre autoridades.
A mudança ocorre meses depois de uma tentativa frustrada de colaboração premiada. Em abril, Zettel procurou negociar um acordo, em movimento paralelo ao de Vorcaro, que também preparava uma proposta de delação. As conversas, porém, não avançaram diante da resistência da Procuradoria–Geral da República (PGR).
Preso desde março
Zettel está preso desde março, quando se entregou à Polícia Federal (PF) após ter a prisão decretada no inquérito que investiga supostas fraudes ligadas ao Banco Master.
Mensagens reunidas pelos investigadores indicam que ele atuava em pagamentos e na movimentação de fundos relacionados ao grupo de Vorcaro.
Ainda de acordo com a Folha, Zettel trocou de advogados em março e passou a buscar formalmente um acordo de colaboração. O advogado Celso Vilardi assumiu sua defesa e chegou a discutir o assunto com o ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
A ideia era que Zettel apresentasse uma proposta paralelamente à de Vorcaro. Ele poderia confirmar informações fornecidas pelo cunhado e acrescentar elementos próprios.
A tentativa, no entanto, não prosperou.
Delação de Vorcaro também enfrenta resistência
As negociações de Vorcaro avançaram mais. Em maio, sua defesa entregou à PF e à PGR uma proposta que mencionava reuniões, viagens e relações com agentes públicos.
O material passou por novas versões, mas uma delas foi rejeitada pela Polícia Federal sob o argumento de que não apresentava informações novas suficientes. Posteriormente, a PGR comunicou ao STF a rejeição de outra tentativa de acordo.
Segundo a Procuradoria, faltavam elementos novos e um compromisso efetivo com a devolução de valores.
Zettel aparece em diferentes frentes da investigação
Desde sua prisão, o nome de Zettel voltou a aparecer em diferentes frentes das investigações sobre o Master.
Mensagens obtidas pela PF indicam que ele teria participado de pagamentos relacionados a pessoas ligadas ao Banco Central. O empresário também aparece associado a fundos utilizados em negócios sob investigação.
Um deles é o Arleen, que adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná. A operação passou a ser examinada por envolver empresas ligadas à família do ministro Dias Toffoli.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram conversas com Zettel sobre transferências relacionadas ao fundo.
Mais recentemente, o iG informou que Zettel afirmou, em gravações recuperadas pela PF, que Vorcaro teria mantido R$ 20 bilhões no exterior. As gravações são anteriores à atual mudança de postura do empresário.
Prisão e afastamento dos filhos influenciam mudança
Segundo a Folha, pessoas que visitaram Zettel afirmam que os sete meses de prisão e o afastamento dos filhos pesaram na decisão de mudar de postura.
Ele também teria demonstrado insatisfação com reportagens e informações divulgadas nos últimos meses e passado a dizer que não pretende mais arcar sozinho com o desgaste provocado pelo caso.
A mudança, porém, não significa que uma nova delação esteja em negociação.
Até o momento, não houve anúncio de um novo acordo de colaboração nem confirmação de que a PF ou a PGR tenham retomado formalmente as conversas com a defesa.
O que mudou, por enquanto, é o discurso de Zettel.
Depois de uma tentativa frustrada de delação e sete meses atrás das grades, ele passou a sinalizar a interlocutores que pode voltar a falar — e revelar novas informações — sobre o esquema investigado no caso Master.
https://www.polemicaparaiba.com.br/brasil/preso-ha-sete-meses-cunhado-de-vorcaro-ameaca-romper-silencio-sobre-caso-master/
ACERCA DEL CORRESPONSAL
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