
247 – O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta segunda-feira (5), em Brasília (DF), que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá incorporar governadores e senadores eleitos à coordenação do segundo turno. Em coletiva de imprensa, ele disse que o partido iniciou conversas com essas lideranças após o primeiro turno e pretende reorganizar a atuação nos estados para a fase decisiva da eleição. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) registou 47% (56 milhões dos votos válidos) e o petista, 45,16% (53 milhões).
A composição para a equipe de Lula na campanha do segundo turno, marcado para o dia 25 deste mês, ainda não recebeu uma definição final, mas o PT considera que os vencedores das disputas estaduais podem ampliar a estrutura política da candidatura.
“Agora nós temos muitas lideranças que ganharam as eleições que podem vir agregar na coordenação, nos ajudar na coordenação nesse mundo todo”, afirmou Edinho Silva.
A reorganização também inclui a manutenção de canais com lideranças que não integraram a aliança petista nas eleições estaduais. Ao falar sobre a governadora reeleita de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), Edinho destacou o respeito do PT pela mandatária e afirmou que continua aberto ao diálogo. “Eu sempre estou aberto ao diálogo com a governadora Raquel Lira, já conversei muito com ela”, declarou.
Nomes como o do governador reeleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e do ex-ministro da Educação Camilo Santana. A equipe do presidente também prepara mudanças na área da comunicação.
Um dos nomes cotados para integrar o time de Lula na campanha para o segundo turno é o marqueteiro Otávio Antunes. Outro publicitário João Santana, que participou de campanhas vitoriosas do PT em eleições presidenciais.
O próprio Edinho Silva também havia dito que o presidente Lula ampliará a participação em debates do segundo turno contra Flávio Bolsonaro para conseguir a virada e, por consequência, o quarto mandato do petista.
Reunião inicia reorganização nos estados
O presidente do PT disse que o partido reuniu lideranças que participaram da construção das estratégias estaduais no primeiro turno para começar a preparação da nova fase da campanha. “Foi uma reunião com as principais lideranças do Brasil, que estiveram conosco no primeiro turno. Importante para que, a partir dessas conversas, a gente possa reorganizar o segundo turno em cada Estado”, disse.
O presidente do partido acrescentou que a direção continuará as conversas com governadores e senadores eleitos. “Conversamos com governadores eleitos, senadores eleitos. Eles vão ficar em Brasília. Amanhã vamos conversar novamente. São lideranças que podem ajudar bastante”, afirmou.
Segundo turno terá mudança de enfoque
Além da ampliação da coordenação, Edinho antecipou uma alteração na forma como o PT pretende conduzir a campanha. Na avaliação do dirigente, o primeiro turno teve como eixo a prestação de contas das ações do governo Lula, enquanto a etapa seguinte deverá colocar os projetos presidenciais em comparação direta. “O segundo turno é uma outra eleição, nós sabemos que é uma eleição de confronto direto de projetos”, afirmou.
Ao fazer um balanço da primeira etapa, Edinho disse que o partido procurou apresentar políticas implementadas pelo governo e reconhecer que a população ainda cobra novos avanços. “Fizemos um primeiro turno para que a gente pudesse prestar contas ao povo brasileiro. Claro que nós sabemos que o povo brasileiro quer mais, que o povo brasileiro deseja mais”, declarou.
Entre as ações mencionadas pelo dirigente estão o Minha Casa Minha Vida, a transposição do Rio São Francisco, a reorganização do Sistema Único de Saúde (SUS), a reforma tributária e iniciativas na área de segurança pública.
“Estamos longe daquilo que o povo brasileiro espera, mas fizemos uma campanha para mostrar tudo que Lula tinha feito”, disse. “Obras importantes, a volta do Minha Casa Minha Vida, a transposição do Rio São Francisco para enfrentar a questão da seca do Nordeste, a reorganização do SUS, enfrentar as filas da saúde pública”, mencionou Edinho Silva.
Reformas política e do Judiciário
Durante a entrevista, o presidente do PT também colocou mudanças institucionais entre os temas que Lula pode defender na campanha e em um eventual novo mandato.
“É o presidente que tem condições de fazer reforma política. Como o próprio presidente disse, o sistema apodreceu. Nós precisamos fazer uma reforma política no Brasil porque o sistema político brasileiro não é o que o povo brasileiro espera, o sistema judiciário não é o que o povo brasileiro espera”, afirmou Edinho.
O dirigente também lembrou mudanças realizadas no Judiciário durante governos anteriores de Lula. “O presidente fará mudanças que o povo brasileiro espera. É o presidente que tem coragem para fazer reforma do poder judiciário”, declarou.
Presidente do PT descarta discussão sobre ministérios
Questionado sobre a possibilidade de a campanha antecipar mudanças ministeriais para tentar ampliar apoios no segundo turno, Edinho afirmou que o tema não entrou nas conversas.
“Não, nunca conversamos sobre isso, na campanha nunca falamos sobre isso. Nomear ministro é uma atribuição do presidente da república, mas isso nunca foi tratado em campanha e acho que é muito estranho você falar em mudança ministerial num segundo turno de campanha”, disse.
Ele também rejeitou informações sobre uma eventual reforma ministerial durante o período eleitoral. “Eu acho que tem muita coisa que se planta, muita notícia, infelizmente, que é plantada, mas que não tem lastro na realidade”, afirmou.
Governabilidade passa pelo diálogo, afirma Edinho
O presidente do PT também abordou a relação de Lula com a nova composição do Congresso Nacional. Para Edinho, o presidente tem experiência para construir maioria parlamentar por meio de negociação política.
“O presidente Lula é um líder com muita capacidade de diálogo, é uma liderança que sempre conseguiu, em todos os seus governos, pacificar o país por meio do diálogo, dar estabilidade política ao país por meio do diálogo, dar estabilidade para a economia, para o crescimento econômico por meio do diálogo”, afirmou.
“Eu não tenho nenhuma dúvida que, independente da configuração do congresso, o presidente Lula saberá dialogar, saberá formar a maioria no congresso e saberá fazer as mudanças que o povo brasileiro precisa”, completou.
Raquel Lyra entra nas conversas políticas
Ao responder sobre uma eventual aproximação com Raquel Lyra, Edinho lembrou que o PT integrou uma aliança com o PSB em Pernambuco e afirmou que o partido manteve uma relação de respeito com a governadora durante a campanha estadual. “A política a gente faz de forma muito leal e transparente. Não pode fazer uma aliança com o presidente nacional do PSB, com o partido do vice-presidente da república, e não honrar essa aliança”, afirmou.
O dirigente acrescentou que a disputa local não rompeu os canais entre o PT e Raquel. “Mas jamais foi dito qualquer coisa que agredisse a governadora Raquel Lira.” “O presidente tem muito carinho pela governadora Raquel Lira, tem muito respeito por ela”, disse. “Espero que ela entenda esse momento da vida do nosso país, do destino do nosso país”, declarou.
A candidata Raquel Lyra (PSD) foi reeleita, neste domingo (4), governadora de Pernambuco. Ela conseguiu 53% dos votos válidos (2,8 milhões). O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) ficou em segundo lugar, com 44% (2,3 milhões).
Pernambuco é o sétimo maior colégio eleitoral do Brasil, com 7,2 milhões de eleitores 4,55% do total). O estado fica atrás de São Paulo (34 milhões/21%), Minas Gerais (16 milhões/10%), Rio de Janeiro (12 milhões/8,10%), Bahia (11 milhões/7,13%), Paraná (8,6 milhões/5,42%) e Rio Grande do Sul (8,5 milhões 5,37%).
Raio X: Câmara, Senado, governos estaduais e regiões
A nova composição da Câmara dos Deputados mantém o centro como o campo com maior número de representantes: são 259 das 513 cadeiras. A direita contará com 130 deputados, enquanto a esquerda terá 124. No Senado, o cenário se inverte em favor da direita, que deverá reunir 44 dos 81 senadores, ou 54% da Casa. A esquerda ficará com 20 cadeiras, equivalentes a 25%, e o centro terá 17 representantes, ou 21%.
Entre os governos estaduais, o PL saiu do primeiro turno com o maior número de vitórias, ao conquistar Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina, totalizando cinco estados. Após o segundo turno das eleições de 2022, o partido governava apenas Santa Catarina e Rio de Janeiro. A legenda também permanece na disputa pelos governos do Rio de Janeiro e do Amazonas.
O PSD aparece na sequência, com quatro governos, dois a mais do que em 2022, após triunfar no Amapá, Maranhão, Pernambuco e Sergipe. O Republicanos venceu em três estados — São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso —, mesmo número alcançado pelo PT. O PP soma dois governos estaduais, enquanto MDB, Podemos e PSDB conquistaram um estado cada.
O senador Flávio Bolsonaro esteve à frente em todos os estados de três regiões brasileiras – Sul, Sudeste e Centro–Oeste, além do Distrito Federal. O presidente Lula ganhou nos nove estados do Nordeste.
https://www.brasil247.com/brasilia/edinho-preve-reforco-de-eleitos-na-coordenacao-da-campanha-de-lula/
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