

O Multiplace Mais suspendeu o Festival de Verão Mais em 2027, após 26 anos de programação em Guarapari. Em comunicado, a casa de shows atribuiu a pausa à alta dos cachês, à concorrência com eventos públicos gratuitos e aos riscos financeiros da temporada.
A decisão foi analisada diante das mudanças no mercado de entretenimento e das condições para grandes eventos privados. O comunicado afirma que o empreendimento assume custos de estrutura, equipes, segurança, impostos, fornecedores e logística, além de depender da venda de ingressos e do consumo de bares e restaurantes.
Não se trata de falta de vontade. Muito menos de falta de amor pelo que fazemos. Trata-se de uma decisão profundamente analisada diante de uma realidade que vem mudando de forma significativa o mercado de entretenimento no Brasil.
Multiplace Mais
Cachês e concorrência com eventos públicos
A empresa informou que a contratação de artistas por prefeituras, governos estaduais e outros órgãos públicos para shows gratuitos elevou a demanda e os valores cobrados por atrações nacionais. Esse cenário também reduz o interesse do público em comprar ingressos para assistir aos mesmos artistas em eventos privados.
Os valores de contratações públicas ajudam a exemplificar o patamar dos cachês no mercado. Bell Marques e Belo receberam, cada um, R$ 800 mil para o São João de Caruaru de 2026, em Pernambuco. Já Lauana Prado recebeu R$ 1,2 milhão por uma apresentação no réveillon da capital federal.
Os quatro artistas se apresentaram no Festival de Verão Mais neste ano.
No comunicado, a empresa afirmou que não se trata apenas da contratação de um show, mas da manutenção de uma cadeia que envolve produtores, fornecedores e trabalhadores.
Não estamos falando apenas de contratar um show. Estamos falando de sustentar toda uma cadeia produtiva.
Multiplace Mais
A casa de shows também destacou que a atividade movimenta a economia e integra o calendário de verão de Guarapari.
Riscos da temporada
A organização citou ainda a instabilidade econômica e projeções de risco de períodos de chuvas intensas na temporada de 2027. Segundo a empresa, o Multiplace Mais assume integralmente os riscos financeiros de uma programação produzida e contratada de forma exclusiva.
“Essa conta está cada vez mais difícil de fechar”, informou o empreendimento. A casa declarou que não realizaria o festival sem manter o padrão de qualidade buscado ao longo de sua trajetória, nem assumiria riscos considerados desproporcionais apenas para preservar a tradição.
O fundador do Multiplace Mais, Bruno Lawall, classificou a suspensão como uma pausa, e não como despedida. “A decisão de não realizar o Festival de Verão Mais 2027 não representa uma desistência. Representa uma escolha responsável diante das condições atuais do mercado”.
Leia a nota na íntegra:
Tem momentos na vida em que a razão precisa falar mais alto que a emoção.
E talvez este seja um dos momentos mais difíceis dos nossos 26 anos de história.
Há mais de duas décadas, o Multiplace Mais faz parte dos verões de Guarapari. Ao longo desse tempo, tivemos o privilégio de receber alguns dos maiores artistas do Brasil, reunir diferentes gerações e estilos musicais e, principalmente, viver momentos inesquecíveis ao lado de milhares de pessoas.
Cada verão foi pensado, planejado e realizado com muita paixão. Sempre buscamos grandes atrações nacionais, estrutura de qualidade e experiências que permanecessem na memória de quem escolheu viver o verão com a gente.
Por isso, comunicar esta decisão não é fácil.
Em 2027, não realizaremos o nosso tradicional Festival de Verão Mais.
Não se trata de falta de vontade. Muito menos de falta de amor pelo que fazemos.
Trata-se de uma decisão profundamente analisada diante de uma realidade que vem mudando de forma significativa o mercado de entretenimento no Brasil e, especialmente, as condições para a realização de grandes eventos pela iniciativa privada.
Nos últimos anos, assistimos a uma escalada expressiva nos valores dos cachês dos principais artistas nacionais. Paralelamente, cresceu também a contratação desses mesmos artistas por prefeituras, governos de estado e demais órgãos públicos para apresentações gratuitas ao público.
É legítimo que cidades promovam cultura, entretenimento e grandes eventos. Mas também é preciso reconhecer o impacto que esse novo cenário provoca sobre quem produz com recursos privados.
Quando o poder público entra no mesmo mercado disputando os mesmos artistas, com capacidade de contratação e oferecendo esses shows gratuitamente à população, estabelece-se uma concorrência extremamente desigual para o produtor privado. O valor dos cachês e produções aumentam e o interesse pela compra do ingresso para assistir o artista diminui.
De um lado, estão municípios e governos realizando grandes contratações com recursos públicos. Do outro, casas de shows, empresários e produtores que precisam pagar os mesmos cachês — muitas vezes já inflacionados por essa alta demanda — e ainda arcar com estrutura, equipe, segurança, impostos, fornecedores, logística e dezenas de outros custos, dependendo da venda de ingressos e do consumo de bares e restaurantes para viabilizar toda essa operação. Um enorme trabalho que começa muitos meses antes de o primeiro artista subir ao palco
Essa conta está cada vez mais difícil de fechar.
Os artistas, naturalmente, também respondem a esse mercado aquecido. Com agendas disputadas e inúmeras propostas vindas de diferentes regiões do país, os cachês e as exigências de produção atingiram patamares que tornam a realização de grandes festivais privados cada vez mais arriscada.
Não estamos falando apenas de contratar um show. Estamos falando de sustentar toda uma cadeia produtiva.
É uma atividade que movimenta a economia, gera empregos e contribui há décadas para fazer de Guarapari um dos principais destinos do verão capixaba.
A tudo isso soma-se ainda a instabilidade econômica e, para a temporada de 2027, as projeções climáticas que indicam risco de períodos de chuvas intensas. Para um empreendimento privado, no caso do Multiplace Mais com produção e contratação exclusivas, assumindo integralmente os riscos financeiros de uma temporada desse porte, é mais uma variável que não pode ser ignorada.
Durante 26 anos, o Multiplace Mais aprendeu que grandes eventos são feitos de sonhos, coragem e paixão.
Mas também precisam ser feitos com responsabilidade.
E responsabilidade, algumas vezes, significa saber a hora de não fazer.
Não seria coerente com a nossa história realizar um Festival de Verão sem a qualidade que sempre buscamos. Também não seria responsável assumir riscos desproporcionais apenas para manter uma tradição no calendário.
Por isso, a decisão de não realizar o Festival de Verão Mais 2027 não representa uma desistência. Representa uma escolha responsável diante das condições atuais do mercado.
E isso não torna o momento menos doloroso.
Nosso coração fica apertado ao imaginar um verão diferente.
Sentiremos falta dos milhares de sorrisos. Dos abraços. Dos encontros. Da música. Da expectativa antes de cada show. Da energia que só quem já viveu uma noite no Mais consegue explicar.
Sentiremos falta daquele instante em que as luzes se apagam, o artista sobe ao palco e milhares de pessoas, vindas de tantos lugares diferentes, vivem juntas a mesma emoção em Guarapari.
Foram 26 anos construindo muito mais do que eventos.
Construímos histórias.
Vimos namoros começarem, amizades nascerem, famílias crescerem e gerações diferentes ocuparem a mesma pista. Vimos artistas que estavam começando voltarem consagrados. Vimos o público mudar, a música mudar, Guarapari mudar — e o Mais continuar fazendo parte de cada verão.
É uma história grande demais para ser resumida a uma temporada.
E é justamente por tudo isso que esta mensagem não é uma despedida.
Não estamos dizendo adeus.
Estamos dizendo que, neste momento, diante das condições apresentadas, a decisão mais responsável é não realizar o Festival de Verão Mais 2027.
Continuamos acreditando na música, no entretenimento, na iniciativa privada e na força dos grandes encontros.
Continuamos acreditando no Mais.
E esperamos que o mercado encontre novamente um ponto de equilíbrio que permita aos produtores privados continuarem investindo, gerando empregos, movimentando a economia e realizando grandes eventos de forma sustentável.
A todos os artistas que passaram pelo nosso palco, aos patrocinadores, parceiros, fornecedores, colaboradores, jornalistas e profissionais que ajudaram a construir essa história, a nossa gratidão.
E, principalmente, ao público que durante 26 anos escolheu o Multiplace Mais para fazer parte das suas melhores lembranças de verão: muito obrigado.
Vocês fizeram essa história junto com a gente.
Por isso, este não é um ponto final.
É uma pausa.
Uma decisão responsável.
E, acima de tudo, um até breve.
Nos encontraremos novamente.
Bruno Lawall
Fundador do Multiplace MaisMULTIPLACE MAIS
26 anos de música, encontros, histórias e emoções.
https://www.folhavitoria.com.br/cultura/entretenimento/multiplace-mais-nao-fara-shows-no-verao-pela-primeira-vez-em-26-anos-entenda/
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