
A Convenção das Nações Unidas sobre Espécies Migradoras (CMS) aprovou a inclusão da ariranha (Pteronura brasiliensis) entre os animais que necessitam de ações urgentes de conservação. A medida é resultado da pressão de pesquisadores e organizações ambientalistas junto aos governos signatários da convenção.
As negociações que elevaram o status de conservação deste mamífero semiaquático ocorreram na 15ª Conferência das Partes da CMS (COP15), que terminou no domingo (29), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
A ariranha é a maior lontra do mundo. Em inglês, seu nome significa literalmente lontra gigante – giant otter. Aqui, seu nome deriva da palavra tupi-guarani ari’raña , que quer dizer “onça d’água”. Com garras e dentes afiados, ela é conhecida por seu comportamento arisco e o som alto e estridente que produz.
Carnívora, ela constrói suas tocas nas margens de rios de águas claras. Sua distribuição se estendia a bacias de quase toda a América do Sul. Hoje suas populações estão restritas à Amazônia e ao Pantanal. No passado, a caça indiscriminada para o comércio de peles representava a principal pressão. Hoje, a perda e a fragmentação de habitats, além da poluição dos rios, tornaram-se a principal ameaça.
Os pesquisadores que defenderam maior proteção também apontaram que a espécie está listada como “em perigo de extinção” na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Um animal topo de cadeia, ele se alimenta de peixes e seu único predador é a onça-pintada (Panthera onca). Sua presença representa o equilíbrio da cadeia alimentar.
“Costumamos dizer que a ariranha é a sentinela dos rios, pois sua presença significa a saúde dos ecossistemas”, diz a bióloga Caroline Leuchtenberger, criadora do Projeto Ariranhas e coordenadora do grupo de lontras da IUCN.
Costumamos dizer que a ariranha é a sentinela dos rios, pois sua presença significa a saúde dos ecossistemas.
Caroline Leuchtenberger, bióloga
Ela explica que a espécie não realiza uma migração clássica – ou seja, como parte do seu ciclo reprodutivo ou para a alimentação sazonal. Mas a extensão de seus territórios ao longo dos rios na Amazônia e no Pantanal justifica ações transnacionais. Quando a conexão aquática permite, a ariranha, uma exímia nadadora e mergulhadora, transita facilmente entre os países através dos rios transfronteiriços. “Todas as outras espécies que dependem da integridade destes rios vão se beneficiar de um maior esforço de conservação das ariranhas”, enfatiza a pesquisadora. Portanto, a perda de conectividade das bacias hidrográficas é uma das principais ameaças.
No mapa à esquerda, a distribuição histórica da ariranha na América do Sul; no mapa à direita, em vermelho, as áreas onde ela está extinta. Fonte: Assessing an aquatic icon: a range wide priority setting exercise for the giant otter (Pteronura brasiliensis)
O documento que embasou a proposta de inclusão da ariranha menciona uma redução de 50% na população da espécie nos últimos 25 anos. Também foi observado que o tamanho dos indivíduos está menor, indicando uma diminuição na taxa de sobrevivência dos filhotes. Utilizando projeções climáticas, como a redução de precipitação por conta das mudanças climáticas, os estudos apontam que a tendência de queda da população da espécie ainda continuará pelas próximas décadas.
Um dos principais desafios pela frente deve ser aprofundar o trabalho com as comunidades que vivem próximas ao habitat da ariranha. O Projeto Ariranha faz um trabalho de monitoramento nas redes sociais para entender qual é o sentimento comum em relação à espécie e diz que a imagem que ainda perdura é a de um animal agressivo.
Caroline Leuchtenberger afirma que a convivência harmoniosa entre humanos e populações de ariranha ainda não é uma realidade em muitas partes da Amazônia e do Pantanal. A espécie é vista como uma competidora pelos pescadores. “A ararinha não é um bicho invisível”, pontua Leuchtenberger. “Quando ela está por perto, ela sempre é notada.”

Proposta francesa, apoio brasileiro
A proposta de inclusão da ariranha entre as cerca de 1.200 espécies já listadas na convenção partiu da França, uma vez que a espécie está presente na Guiana Francesa, território ultramarino do país europeu. Além do Brasil, a iniciativa de maior proteção recebeu o apoio de outros países da América do Sul e foi aprovada sem oposição no plenário da convenção.
Seguindo a estrutura da CMS, a espécie pode ser listada em seus anexos para iniciar um processo de ações coordenadas para a conservação. O Apêndice I representa espécies em perigo ou criticamente em perigo de extinção e que necessitam de ações rigorosas por parte dos estados-membros do acordo. Já o Apêndice II é um incentivo à cooperação entre países para adotarem medidas conjuntas para a conservação de uma espécie.
Pelo grau elevado de perigo de extinção, a ariranha foi incluída nos dois anexos. Após a inclusão na lista, o próximo passo nas negociações é obter um plano de ação coordenado entre os países. Tal plano só seria aprovado em uma próxima COP da CMS, que deve ocorrer na Alemanha daqui a três anos.
“A inclusão da ariranha tanto no Apêndice I quanto no Apêndice II da CMS enviará um sinal claro de que é necessária uma ação internacional urgente e coordenada para conservar essa espécie e os ecossistemas de água doce dos quais ela depende”, afirmou Susan Lieberman, vice-presidente de Política Internacional da Wildlife Conservation Society.
Imagem de Abertura: Ariranha pescando em rio do Pantanal. Foto: Grégoire Dubois.
Gustavo Faleiros
Fuente de esta noticia: https://infoamazonia.org/2026/03/31/sentinela-dos-rios-ariranha-e-incluida-na-lista-de-especies-migratorias-ameacadas/
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