Brasília foi palco, na segunda-feira (30), de uma mobilização diplomática de alto nível em torno de um dos desafios mais urgentes da contemporaneidade: o desperdício de alimentos. Em celebração ao Dia Internacional do Lixo Zero, a Embaixada da República da Türkiye no Brasil, em parceria com o Escritório das Nações Unidas, reuniu autoridades, diplomatas e especialistas na residência oficial da missão turca para discutir soluções concretas rumo a um futuro mais sustentável.
Sob a anfitrionia do embaixador Halil Ibrahim Akça, o encontro destacou não apenas a relevância simbólica da data, mas também seu crescente protagonismo na agenda climática global, especialmente no contexto da COP31, que será presidida pela Türkiye.

A liderança da Türkiye e o apelo por uma economia circular
Em mensagem reproduzida na solenidade, a primeira-dama da República da Türkiye, Emine Erdoğan, fez um apelo contundente à ação global. Ao classificar o desperdício de alimentos como uma “perda invisível”, alertou para seus impactos diretos sobre a segurança alimentar e os recursos naturais do planeta.
Segundo destacou, cerca de 2,3 bilhões de toneladas de alimentos são perdidas anualmente — volume que evidencia não apenas ineficiência, mas também um profundo desequilíbrio entre produção e consumo. Cada alimento desperdiçado, ressaltou, representa igualmente o desperdício de água, solo e trabalho humano.
Emine Erdoğan enfatizou ainda que a construção de um futuro sustentável exige mobilização coletiva e inclusiva. “Se o mundo é nossa casa comum, salvá-lo deve ser também nossa luta comum”, afirmou, ao defender a transição de modelos lineares para uma economia circular. Nesse contexto, destacou os resultados da iniciativa “Resíduo Zero”, lançada em 2017 na Türkiye, que já contribuiu para a preservação de recursos naturais em larga escala e se consolidou como um movimento ambiental de alcance global.
O alerta das Nações Unidas
Na sequência, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reforçou, em mensagem, a gravidade do cenário global. Ele destacou que o mundo desperdiça diariamente alimentos suficientes para preparar cerca de um bilhão de refeições, enquanto aproximadamente 9% da população mundial enfrenta a fome.
Além do impacto humanitário, Guterres chamou atenção para os prejuízos econômicos, estimados em US$ 1 trilhão por ano, e para os efeitos devastadores sobre o clima, os ecossistemas e a saúde pública. Para o líder da ONU, reverter esse quadro exige mudanças concretas por parte de consumidores, empresas e governos, incluindo práticas mais eficientes na produção, distribuição e consumo de alimentos.
Compromisso diplomático e ação climática
Em seu discurso, o embaixador Halil Ibrahim Akça destacou que o debate sobre resíduos transcende a dimensão ambiental, inserindo-se também no campo da justiça global e das responsabilidades compartilhadas.
Ao relembrar o papel da Türkiye na criação do Dia Internacional do Lixo Zero, por meio de resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, o diplomata reafirmou o compromisso de seu país com a promoção de soluções sustentáveis em escala global.
Akça também ressaltou que a agenda de resíduo zero será uma das prioridades da presidência turca da COP31, enfatizando que a redução do desperdício de alimentos é uma das formas mais rápidas e eficazes de mitigar as emissões de gases de efeito estufa e fortalecer sistemas alimentares resilientes.
A dimensão cotidiana do desafio
A coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, Silvia Rucks, trouxe à discussão a dimensão prática e cotidiana do problema. Segundo ela, cerca de 70% do desperdício de alimentos ocorre dentro das residências, o que evidencia a importância da mudança de comportamento individual.
Rucks destacou que medidas simples, como o planejamento adequado de compras e o consumo consciente, podem gerar impactos significativos. Ao mesmo tempo, ressaltou a necessidade de soluções sistêmicas, baseadas na articulação entre políticas públicas, inovação e engajamento social.
A perspectiva brasileira e a ação multilateral
Representando o Ministério das Relações Exteriores, a embaixadora Liliam Beatris Chagas de Moura reforçou que o desperdício de alimentos constitui um dos paradoxos mais urgentes do cenário internacional contemporâneo.
Ao destacar que cerca de 735 milhões de pessoas ainda enfrentam a fome, a diplomata observou que a perda significativa de alimentos ao longo da cadeia produtiva demanda uma resposta coordenada da comunidade internacional. Nesse sentido, enfatizou que o combate à fome e à pobreza deve permanecer no centro da agenda global, alinhado a iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
“Reduzir o desperdício de alimentos não é apenas uma questão de eficiência, mas um imperativo ético, social e político”, afirmou, ao defender uma abordagem integrada que conecte produção, consumo e gestão de resíduos, considerando as diferentes realidades nacionais.
A embaixadora também destacou o engajamento do Brasil nas negociações de um instrumento internacional juridicamente vinculante para combater a poluição plástica, ressaltando a importância de um acordo ambicioso, eficaz e adaptado às capacidades de cada país. Para ela, a credibilidade desses compromissos dependerá da capacidade de transformá-los em resultados concretos.
Um imperativo moral, climático e civilizatório
O evento reforçou que o desperdício de alimentos não é apenas uma questão de eficiência, mas um imperativo ético diante das desigualdades globais. Ao mesmo tempo, trata-se de um desafio climático de grande magnitude, responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Nesse contexto, a inclusão da agenda de lixo zero nas discussões climáticas internacionais representa um avanço significativo, ao alinhar sustentabilidade, segurança alimentar e desenvolvimento econômico em uma mesma estratégia.
Um chamado à ação
Ao final do evento, consolidou-se uma convicção compartilhada: enfrentar o desperdício é, acima de tudo, um gesto de responsabilidade coletiva — e uma das formas mais concretas de proteger o futuro do planeta.
*É permitida a reprodução, desde que citada a fonte.
Elna Souza
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