No ambiente tributário mais confuso do país, o problema não é não saber tudo. É fingir que sabe o suficiente.
No Brasil, ignorância não é ofensa. Em muitos casos, é diagnóstico. E, na gestão financeira, quando ela se alia à vaidade, o resultado quase sempre aparece no caixa, ou na perda silenciosa de direitos que ninguém percebeu a tempo.
Gosto da palavra “ignorância”. Não no sentido pejorativo que costumamos atribuir a ela, mas no seu significado mais elementar: a falta de conhecimento sobre determinado assunto. É importante deixar isso claro logo no início, porque reconhecer a própria ignorância não é fraqueza. Ao contrário. Em ambientes complexos, pode ser o primeiro passo para uma decisão minimamente responsável.
No universo corporativo brasileiro, sobretudo no alto escalão financeiro, essa distinção importa mais do que deveria. Em um país que combina carga tributária elevada com um sistema fiscal confuso, mutável e tecnicamente hostil, a ignorância custa caro. Às vezes muito caro.
É comum encontrar executivos brilhantes em gestão, estratégia, mercado e operação, mas rasos quando o assunto é fiscal e tributário. Isso não decorre, necessariamente, de incompetência individual. O problema é estrutural. O sistema tributário brasileiro foi desenhado para ser complexo, alimentado por camadas de normas, interpretações, exceções e mudanças constantes. Exige dedicação quase exclusiva de quem pretende compreendê-lo com profundidade.
E essa complexidade não é teórica. Ela aparece no cotidiano. Aparece em um ambiente em que uma vírgula pode alterar efeitos práticos de uma norma. Em que interpretações técnicas mudam a natureza de contas contábeis. Em que há profissionais mais empenhados em ornamentar teses tributárias do que em interpretar criticamente a lei. E em que ainda existe quem trate Instrução Normativa como se tivesse força legal equivalente à da própria legislação.
Esse é o nível do problema.
“Quanto maior o cargo, maior o prejuízo quando a ignorância vem acompanhada de vaidade.”

Diante disso, a pergunta inevitável é outra: o que esperar de profissionais que ocupam posições de comando em empresas brasileiras sem compreender, de fato, o terreno em que pisam? Ou pior: que não reconhecem a extensão daquilo que desconhecem?
O ponto central não é exigir que um CFO domine cada nuance da legislação tributária. Isso seria irreal. O problema começa quando essa limitação não é admitida. A falsa sensação de domínio, combinada com a subestimação da complexidade fiscal brasileira, produz decisões ruins, riscos desnecessários e perdas financeiras relevantes.
E essas perdas não são abstratas.
Neste exato momento, empresas tributadas pelo lucro real estão na iminência de perder, de forma definitiva, um direito relevante. Dependendo do caso, isso pode representar entre 0,5% e 2,5% sobre o faturamento bruto acumulado dos últimos cinco anos. Não se trata de detalhe técnico. Trata-se de dinheiro real, de impacto concreto, de valor que pode simplesmente desaparecer por omissão, desatenção ou soberba.
O dado mais incômodo talvez seja outro: quanto maior a empresa, maior tende a ser a chance de esse direito estar sendo ignorado. Multinacionais, inclusive, estão entre as mais expostas a esse tipo de perda silenciosa. E isso acontece porque, em muitos ambientes corporativos, ignorância e vaidade operam juntas. A primeira impede o diagnóstico da lacuna. A segunda bloqueia a entrada de quem poderia resolvê-la.
É aí que a ignorância deixa de ser apenas falta de conhecimento e passa a ser risco de gestão.
Admiti-la, nesse contexto, não fragiliza ninguém. Fortalece. Porque é justamente esse reconhecimento que abre espaço para a atuação de especialistas de verdade, tributaristas, advogados fiscais e consultores que vivem as mudanças, os entendimentos e as distorções do sistema em tempo real.
Sem esse suporte técnico, tentar decifrar o manicômio fiscal brasileiro é, no mínimo, ingenuidade. E ingenuidade, no mundo corporativo, costuma sair mais cara do que erro assumido.
No fim, a discussão não é sobre saber tudo. Nunca foi. É sobre saber o que não se sabe e ter maturidade para buscar quem sabe. Em um país onde a complexidade tributária é regra, não exceção, competência não é aparentar domínio. Competência é não confundir cargo com conhecimento técnico.
No Brasil, a gestão financeira segura não nasce da arrogância. Nasce do reconhecimento de limites.
E isso, para muitos, ainda é difícil demais.
Num sistema em que o erro custa caro e a omissão custa ainda mais, a verdadeira inteligência não está em parecer preparado para tudo. Está em reconhecer, com lucidez, onde termina a própria competência e onde precisa começar a atuação de um especialista.
Fuente de esta noticia: https://usnews.com.br/o-valor-da-ignorancia-e-o-risco-dela-na-gestao-financeira-brasileira/
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