
Ano passado, em uma audiência no Senado, a ministra Marina Silva tentou explicar para os congressistas porque a pauta ambiental não é inimiga do desenvolvimento: “o meu lugar, em primeiro lugar, é defender o meio ambiente. E, ao defender o meio ambiente, eu estou defendendo o combate à pobreza. Ao defender o meio ambiente, eu estou defendendo o agronegócio. Ao defender o meio ambiente, eu estou defendendo a indústria. Ao defender o meio ambiente, eu estou defendendo os interesses estratégicos do Brasil, porque hoje tudo passa pelo meio ambiente. Esse é o meu lugar”.
Gosto muito dessa fala da ministra, da forma como ela resume o que ainda parece difícil de entender no debate público brasileiro. A verdade é que existem pautas que não podem ser secundárias, porque todas as outras dependem delas. É assim a pauta ambiental.

O agronegócio brasileiro não vive sem a Amazônia. Só por existir, a floresta gera um valor estimado em mais de R$ 100 bilhões por ano apenas com o serviço que a chuva traz para a agricultura e economia brasileiras, segundo um estudo internacional publicado na “Communications Earth & Environment”, da Nature. É a chamada “fábrica de chuvas”, em que cada metro quadrado de floresta contribui com cerca de 300 litros de água por ano, um volume importante para aproximadamente 85% da produção agropecuária do país. Só as Terras Indígenas da região, segundo outro estudo publicado pelo Instituto Serrapilheira, influenciam as chuvas que abastecem cerca de 80% das áreas de atividades agropecuárias brasileiras, contribuindo para 57% da renda agropecuária do país.
Há ainda uma terceira pesquisa, divulgada nesta semana pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que mostra que um terço dos alimentos do mundo é produzido nos trópicos. A cientista Olivia Zerbini explica que a Amazônia garante os alimentos que consumimos e o futuro da vida na Terra.
“A Amazônia, como a maior floresta tropical do mundo, é como um coração para o planeta: bombeia vapor d’água por todo o continente, irrigando lavouras, regulando temperaturas e sustentando economias dentro e fora da região amazônica. E se esse coração desacelerar, todo o sistema pode colapsar”, diz Zerbini.
A Amazônia, como a maior floresta tropical do mundo, é como um coração para o planeta: bombeia vapor d’água por todo o continente, irrigando lavouras, regulando temperaturas e sustentando economias dentro e fora da região amazônica. E se esse coração desacelerar, todo o sistema pode colapsar.
Olivia Zerbini
O lance é que, como diz uma música cantada por Elis Regina, o “Brazil não conhece o Brasil”. Alguns brasileiros que não se enxergam latinos, sul-americanos e, de fato, enraizados em uma cultura historicamente sugada pelos países ricos, não se incomodam em ainda confundir Roraima com Rondônia. De não saber o tamanho da nossa floresta. De não conhecer mais de um ou dois nomes de povos indígenas do nosso país, sendo que existem centenas de etnias espalhadas pelo território.
É aí que mora o perigo. Quando a Amazônia é vista como um lugar distante e abstrato, fica mais fácil vender a ideia de que proteger a floresta é um obstáculo ao desenvolvimento — e não uma condição para ele.
Em ano de eleição, mais do que nunca, quem quer ganhar dinheiro com recursos naturais que são coletivos — e não particulares — começa a defender que a área ambiental é um entrave. Que a Amazônia é um buraco a ser explorado, cheio de ouro, madeira e indígenas atrapalhando. A pauta do meio ambiente impede o Brasil de ir para frente?

A floresta em pé é um recurso de todo o país — não de uma empresa ou de uma família.
O ser humano tenta criar um mercado para absolutamente tudo, até para aquilo que já tem um valor estimado. Lá vamos nós outra vez: criamos mercados de carbono, mecanismos aqui e acolá para “valer a pena” deixar a floresta em pé. Ainda assim, parte do debate público insiste em tratar a proteção da floresta como um luxo ambiental, e não uma condição para o bom funcionamento da própria economia do país.
Talvez isso aconteça porque muitos ainda enxergam a Amazônia como algo distante, quase abstrato. Mas não é.
Como disse Marina Silva: “tudo passa pelo meio ambiente”.
O que precisa acontecer para que a gente comece a defender a Amazônia coletivamente porque ela é nossa?
Carolina Dantas
Fuente de esta noticia: https://infoamazonia.org/2026/03/16/o-brasil-que-depende-da-amazonia-mas-ainda-nao-percebeu/
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