
Organizações alegam falta de transparência e participação popular em processos que impactam diretamente a integração regional e o desenvolvimento local.
Foz do Iguaçu–PR – Entidades representativas do turismo, do comércio e da logística da região trinacional criticam a falta de diálogo institucional por parte de autoridades responsáveis pelas decisões que impactam diretamente a fronteira entre Brasil e Paraguai. Segundo o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz), medidas seguem sendo adotadas de forma unilateral, sem a participação da sociedade civil organizada.
O episódio mais recente ocorreu durante reunião da Comissão Mista Brasileiro-Paraguaia, realizada no último dia 20, que tratou do fluxo de veículos entre Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Presidente Franco. Mais uma vez, representantes da comunidade regional não foram convidados a participar do encontro.
Para o Codefoz, a ausência de interlocução amplia o risco de decisões desalinhadas à realidade local e compromete setores estratégicos da economia regional, como o turismo internacional, o comércio exterior e o transporte de cargas.
“O Brasil tem à frente as relações exteriores nessa comissão, ditando decisões sem ouvir os segmentos diretamente impactados, que são o turismo, o comércio internacional, o transporte de cargas e a logística como um todo”, afirmou o presidente do Codefoz, Marcelo Brito. “É necessário ouvir as cidades, o poder público local e as lideranças da sociedade civil”, completou.
Cobrança por agenda macro para a fronteira
Segundo Marcelo Brito, a falta de uma agenda macro e integrada para a fronteira tem levado à adoção de medidas pontuais e fragmentadas, que não resolvem os gargalos históricos da região. Ele questiona, por exemplo, a ausência de consulta às comunidades diretamente afetadas pelas mudanças na operação das infraestruturas existentes.
“Houve diálogo com a sociedade civil de Presidente Franco sobre a melhor forma de utilização da Ponte da Integração? Foram ouvidos os agentes socioeconômicos de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este sobre melhorias no tráfego da Ponte da Amizade? Não. As decisões seguem sendo tomadas de portas fechadas, de cima para baixo”, afirmou.
Na semana passada, o Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguaçu (Codetri), do qual o Codefoz faz parte, reuniu representantes do turismo, do comércio e da logística. O encontro resultou em um posicionamento formal encaminhado à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e a ministérios do governo federal, cobrando abertura de diálogo e participação da sociedade civil nas decisões.
Antes disso, órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná já haviam sido acionados em razão de pendências relacionadas à Perimetral Leste.
Impactos diretos na logística e na mobilidade
Conforme o Codefoz, o distanciamento institucional tem gerado efeitos concretos na mobilidade urbana e na logística regional. Entre os problemas citados estão as restrições operacionais na Ponte da Integração, a precariedade da Perimetral Leste e os congestionamentos recorrentes na BR-277, entre Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu.
“Temos uma ponte internacional nova, mas com limitações criticadas por caminhoneiros e transportadoras. A Perimetral Leste apresenta acessos obstruídos, iluminação insuficiente e não cumpre plenamente sua função de escoamento de cargas”, elencou Brito.
Ele também citou transtornos na Avenida das Cataratas e a preocupação com a falta de acesso adequado ao novo Porto Seco.
Apesar das críticas, o presidente do Codefoz afirma que as entidades seguem abertas ao diálogo “Continuamos aguardando retorno formal das comunicações encaminhadas às autoridades brasileiras e a efetiva participação da sociedade civil nas mesas de negociação”, concluiu.
Fonte Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre
