
Com 30% das intenções de voto, senador progressista consolida favoritismo contra a extrema-direita de Abelardo De la Espriella no primeiro turno.
Bogotá – A cinco meses das eleições presidenciais, a Colômbia caminha para um embate decisivo entre o aprofundamento das reformas sociais e o retorno ao passado de radicalização da direita. Segundo levantamento da GAD3, publicado no último domingo (18), o senador Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico, lidera a corrida com 30% das intenções de voto.
Cepeda, que conta com o respaldo da coalizão que elegeu Gustavo Petro em 2022, enfrenta o advogado de extrema-direita Abelardo De la Espriella, do grupo “Defensores da Pátria”, que aparece com 22%. A direita tradicional uribista, representada por Paloma Valencia, amarga um terceiro lugar com apenas 3%, evidenciando a fragmentação e a perda de hegemonia do setor que governou o país por décadas.
O fator Petro e a tendência de segundo turno
O favoritismo de Cepeda não é isolado. Ele reflete a recuperação da popularidade de Gustavo Petro, que viu sua aprovação saltar para a casa dos 39% no início de 2026. A tendência aponta para um segundo turno, onde o progressismo terá que enfrentar uma direita cada vez mais influenciada por discursos extremistas e messiânicos.
Diferentes institutos corroboram a liderança: enquanto a Invamer coloca Cepeda com quase 32%, a AtlasIntel aponta um empate técnico. O cenário é de polarização intensa, onde a “revolução ética” proposta pelo Pacto Histórico bate de frente com o revanchismo da extrema-direita.
Quem é Iván Cepeda: Do extermínio da UP ao Palácio de Nariño
A trajetória de Iván Cepeda é indissociável da história da violência política colombiana. Filho de Manuel Cepeda Vargas, senador comunista assassinado em 1994 durante o genocídio contra a União Patriótica (UP), Iván transformou o luto em luta.
Fundador do Movimento de Vítimas de Crimes de Estado (Movice), ele foi peça-chave nos processos de paz com as Farc e o ELN. No entanto, sua atuação mais contundente foi no enfrentamento jurídico a Álvaro Uribe. Foi Cepeda quem denunciou a manipulação de testemunhas pelo ex-presidente, processo que resultou em condenações históricas e abalou o pilar do paramilitarismo político no país.

A plataforma: Uma “Revolução Ética”
Aos 63 anos, Cepeda assume o desafio de ser o segundo presidente de esquerda da história da Colômbia. Sua plataforma foca no que ele chama de “revolução ética”, prometendo:
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Aprofundamento das Reformas Sociais: Continuidade da reforma agrária e da saúde iniciadas por Petro.
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Paz Total: Consolidação dos acordos com grupos armados para encerrar décadas de guerra civil.
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Justiça e Memória: Fortalecimento das instituições que investigam crimes de Estado e paramilitarismo.
Fonte: Amilton Farias é jornalista e editor do Fronteira Livre
